Maisa Infante
Coordenadora de Produção
“Bem vindo Jheck!” A frase está escrita com letras coloridas e cheias de purpurina na porta do quarto onde o garoto Jheck Brenner de Oliveira, 5, está instalado desde as 15 horas de ontem. Depois de ficar 10 meses no Hospital Unimed, o menino voltou para casa e passará os dias ao lado da mãe, em um quarto com as paredes de cor azul clara e repletas de desenhos infantis.
Jhéck ficou conhecido nacional e internacionalmente depois que seu pai, Jeson de Oliveira, disse que pediria a eutanásia do filho. A notícia foi veiculada com exclusividade pelo Comércio da Franca no dia 30 de agosto e mobilizou jornais do Brasil todo. O garoto tem uma doença degenerativa rara e não movimenta os braços, as pernas nem o pescoço.
Mas ao olhar para ele é difícil acreditar que não entenda o que se passa à sua volta. Os olhos se movimentam à procura das vozes, principalmente a da mãe, Rosemara dos Santos Souza. “Tenho certeza que ele entende tudo”, diz. Foi ela quem lutou para levar o filho para casa. Foi ao programa do Gugu e conseguiu dinheiro para comprar o imóvel. Depois, com a ajuda do governo do Estado, conseguiu os aparelhos que ajudam Jheck a sobreviver. Teve ainda a solidariedade do Hospital Unimed, que forneceu a mão-de-obra para a reforma da casa.
É com muito carinho que Rosemara pretende lidar com o dia-a-dia difícil que enfrentará daqui para frente. Jheck não pode ficar sozinho em momento algum e possui horários rigorosos para comer e tomar os remédios. A alimentação é passada por uma sonda e precisa ser dada rigorosamente de três em três horas, a partir das 6 horas e até às 21 horas. Além disso, é preciso monitorar constantemente a temperatura corporal para saber que tipo de roupa colocar no garoto, a oxigenação e a pressão.
Mas nada disso tira a coragem da mãe de apenas 22 anos. O que ela mais queria, ficar com o filho ao lado, já conseguiu. Ao pé da cama, com o rosto colado no do filho, Rosemara diz, emocionada, que cumpriu a promessa que fez a ele: “Viu meu filho? Eu dizia que você não precisava ficar triste porque ia voltar para casa. Eu cumpri a promessa”.
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