A safra da cana-de-açúcar começa no mês de abril e terá novidades. O Ministério Público do Trabalho determinou uma série de regras a serem cumpridas pelas 138 usinas do Estado de São Paulo a partir desta colheita. Elas vão desde um local apropriado para as refeições até o fornecimento de uniformes. Mas o que causa maior polêmica é a determinação de pôr fim ao pagamento do corte da cana por produtividade, passando a fixar um salário. O tema voltará a ser pauta de discussões de outros dois encontros a serem realizados ainda neste mês em Campinas e São Paulo.
As normas regulamentadoras determinam que as usinas proporcionem abrigos para as refeições, com mesas e cadeiras; forneçam uniformes confeccionados com fibras naturais; forneçam água potável e instalem sanitários com água para higienização. Além disso, os trabalhadores terão que ter duas pausas diárias, não apenas na hora do almoço como acontece hoje. As novas regras já causam divergências, tanto do lado das usinas como dos trabalhadores. “Isso é histórico. O setor sempre trabalhou por produtividade. Se for para fixar salário, é preciso negociar com os cortadores”, disse o gerente da Canagril, de Patrocínio Paulista, Jorge Luís Silva.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores daquele município, Heli Marques dos Santos, o fim do pagamento por produção não é muito atrativo para os trabalhadores. As usinas pagam, em média, R$ 2,42 por tonelada. “Alguns cortadores chegam a ganhar R$ 2 mil/mês. Com salário fixo, receberão cerca de R$ 530 mensais”. Há ainda outro fantasma. Como um possível aumento nos custos, as empresas podem aumentar a mecanização, o que causaria desemprego.
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