Estudante confessa que levou substância


| Tempo de leitura: 2 min
SEM FESTA Foto apresentada pelo estudante Alysson de Souza Naves durante o depoimento na delegacia mostra estudantes despejando cerveja em Tiago Careta, que teve a cabeça e pescoço feridos durante trote
SEM FESTA Foto apresentada pelo estudante Alysson de Souza Naves durante o depoimento na delegacia mostra estudantes despejando cerveja em Tiago Careta, que teve a cabeça e pescoço feridos durante trote
O delegado seccional de Franca, Maury de Camargo Segui, ouviu ontem, por volta das 17h30, mais um envolvido no trote violento ocorrido nas proximidades da Unifran (Universidade de Franca) na noite de segunda-feira. O estudante Alysson de Souza Naves, 19, do segundo ano do curso de Sistema de Informação, assumiu ter levado permanganato de potássio para usar na hora do trote. Foi o produto que atingiu o calouro de Administração de Empresas Tiago Rosa Careta, 21, e causou-lhe queimaduras no couro cabeludo e pescoço. “Eu trouxe o pó, mas sem intenção de machucar alguém. Nunca mais farei uma coisa dessas”, disse Alysson ao delegado na tarde de ontem. Segundo o universitário, a idéia surgiu depois de pedir indicação ao pai, Manoel Antônio Naves, 47, de alguma substância que colorisse para levar para ao trote. Manoel trabalha como auxiliar de farmácia há 23 anos numa empresa veterinária em São Sebastião do Paraíso (MG). Após consultar um veterinário da empresa, indicou o permanganato de potássio, substância roxa usada para curar feridas de animais. Segundo informações obtidas pelo delegado, a substância não deveria causar reações na pele, mas pode ter provocado forte irritação ao ser misturada com bebida alcóolica. Durante o depoimento, Alysson apresentou fotos que mostram estudantes derramando cerveja na cabeça de Tiago Careta. O advogado do aluno, Mário Coelho Souza, 47, disse que está nítido que não houve intenção de machucar os calouros e que foi uma “atitude inconsciente”. “Aguardaremos o inquérito e laudo da Polícia Científica para decidir o que faremos”. O resultado do exame deve sair em uma semana. DEPOIMENTOS Já foram ouvidas quatro pessoas, entre elas a aluna Bruna Durães, 18, (caloura de Administração de Empresas), que assumiu ter jogado o produto químico na cabeça de Tiago. Alysson é quem teria jogado o produto na garota, que depois o atirou em Tiago. Pelo menos mais seis pessoas ainda deverão ser ouvidas. O depoimento do médico veterinário consultado pelo pai de Alysson já está marcado para a próxima semana. “Todos serão responsabilizados”, resumiu Segui. Os alunos podem ser indiciados por lesão corporal dolosa. Ontem, a Unifran (Universidade de Franca) abriu processo administrativo para apurar o fato. A primeira convocação para os depoimentos deverá ser feita hoje e será a de Tiago. “A primeira pessoa a ser ouvida pela Unifran será a vítima. Resolvemos aguardar pelo menos 48 horas para sua recuperação”, disse o assessor de imprensa da instituição, Marco Masini. Após ouvir as partes, a universidade definirá os procedimentos legais a serem tomados. Os estudantes poderão sofrer advertência escrita, suspensão ou expulsão. Enquanto não há definições, Tiago continua em sua casa, em Cristais Paulista, sob os cuidados dos pais sem saber quando retornará aos estudos. A próxima consulta médica está marcada para amanhã. Ao estudante, resta se esforçar para esquecer o trauma. “Não dormi direito. Acordo o tempo todo e lembro do momento que minha cabeça começou a queimar”, disse ele, que precisou tomar calmante ontem.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários