Noite de horror deixa clima tenso no campus


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Horror, susto e medo foram as palavras do estudante Tiago Rosa Careta e outros calouros da Unifran (Universidade de Franca) sobre a noite de selvageria logo no primeiro dia de aulas. O tradicional trote para recepcionar os novatos extrapolou os escritos com guache nos rostos e brincadeiras, como a de passar palitinho um para o outro com a boca e ‘elefantinho’ (formar uma fila e segurar nas mãos do colega por meio da pernas). Os “bixos” tiveram os cabelos cortados, as roupas rasgadas, ficaram sem sapatos, viraram alvos de jatos de extintores, rolaram na lama, presenciaram explosão de bombas nas ruas e a mais trágica ocorrência: viram o aluno Tiago com o couro cabeludo e pescoço queimados pelo pó despejado pelos veteranos. As cenas deixaram a universidade em clima tenso e provocaram a queda da freqüência dos calouros. Estudantes veteranos vindos da região disseram que os ônibus ficaram vazios nos dois últimos dias. Na segunda-feira, por volta das 21 horas, depois de assistirem às duas primeiras aulas, cerca de 20 alunos do curso de Administração de Empresas, inclusive Tiago, foram surpreendidos pelos veteranos com máquinas para cortar cabelo na própria classe, mas dois seguranças da Unifran impediram o trote nas dependências da instituição. O grupo se dirigiu para a avenida de entrada e se juntou com calouros e veteranos de outros cursos. O local estava tumultuado e, em meio à bagunça, os “bixos” presenciaram um grupo de estudantes balançarem quatro ônibus da Empresa São José e vans que passavam pelo local, enquanto dezenas de passageiros pediam para pararem, além da explosão de bombas. Pouco depois de presenciar tais cenas, Tiago foi atingido pelo pó químico e sofreu as queimaduras na cabeça e pescoço. “Saí correndo para o carro, mas tive que dar a volta porque não conseguir passar no meio do povo”. Ele foi para a casa da namorada se lavar, ficou internado na Santa Casa e foi liberado depois. A estudante Pâmela Nascimento, 21, iniciou o primeiro ano do curso de Pedagogia e ficou preocupada com a violência dos trotes. “Fiquei assustada. Não sabia se era melhor vir na primeira semana ou faltar. Estava com medo, mas acho que agora os trotes vão diminuir. Espero”.

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