Moradores do Parati sofrem com falta d’água


| Tempo de leitura: 2 min
Todos os dias, Nilva Garcia vai à mina no final do Jardim Parati, acompanhada de sua filha, Sara Cristina Souza, buscar água para a família.
Todos os dias, Nilva Garcia vai à mina no final do Jardim Parati, acompanhada de sua filha, Sara Cristina Souza, buscar água para a família.
Arnon Gomes da Redação Nas últimas semanas, a dona de casa Nilva Garcia Costa, 47, passou a lavar roupa e louça todos os dias em uma mina no final do Jardim Parati. Para levar água à sua casa, a peregrinação é a mesma. Pela manhã, sai da residência no Conjunto Habitacional “Otávio Cilusio”, Avenida Arthur da Costa Silva, com garrafas pets e baldes nas mãos, acompanhada da filha mais nova, Sara Cristina de Souza, 6. O motivo da caminhada: não há água em sua casa há pelo menos um mês. Por conta da dívida do condomínio com a Sabesp, acumulada desde julho do ano passado no valor de R$ 2.362,70, o fornecimento de água foi cortado em três blocos do conjunto. A decisão da estatal deixou os moradores inconformados. “Sofremos prejuízos por irresponsabilidade dos outros”, diz Nilva. A síndica do bloco 3B, Lídia Nogueira, explica que o valor da conta de água é rateado entre os moradores. Mas nem todo fazem sua parte. Das 31 famílias que habitam o prédio, apenas 11 estão em dia com o pagamento. Assim, todos, os inadimplentes e os que pagam, enfrentam rotina igual à de Nilva. Diariamente, sai cedo de casa em busca de água. No caminho que conduz à mina, outro dilema: ruas de terra, esburacadas, lixo ao redor e escadas de pedras. Ao chegar, outro problema: a água que retiram da mina não é potável, o que pode trazer riscos à saúde de quem a utiliza. Atualmente, desempregado e sem ter contribuído com o pagamento da conta de fevereiro, Hermam Fernando Lourenço, 36, ajuda sua família e os vizinhos. Carrega no porta-malas de seu carro 20 garrafas pets, quatro galões e dois baldes. Hermam começa por volta das 7 horas e só termina às 11. “É o único jeito”, afirma. “Não podemos ficar sem água”. Morador do conjunto desde sua inauguração, há quatro anos, Lourenço diz que já a segunda vez que o abastecimento é suspenso. Colega de Hermam, o sapateiro Eurípedes Fidélis da Silva, 55, acredita que a Sabesp deveria tomar outra medida para punir quem não paga a conta de água. “Não é justo chegarmos ao prédio e ainda termos de subir escada, com 40 litros de água, nas mãos ou nas costas”, diz. INDIVIDUALIZAÇÃO Para evitar que o drama se repita, os moradores querem a implantação de um hidrômetro em cada residência. Atualmente, há somente um medidor de água no prédio, que serve para todos os apartamentos. “Assim, além de evitar cortes no fornecimento, o valor da conta seria mais justo”, diz a dona de casa Stelamar Alves da Cunha. No conjunto, o valor mensal da conta fica entre R$ 770 e R$ 1 mil. “E na hora de dividir a despesa, todos têm custo igual, tanto quem gastou muito como quem economizou”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários