Famílias largam tudo para lutar pela terra


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Com enxadas nas mãos e bonés para se proteger do sol, o casal Maurício e Maria Zélia Veronez, 49 e 52 anos, trabalhava na preparação do barraco na manhã de ontem. A estrutura de bambu montada horas antes aguardava a lona de cobertura. “Ainda não temos o material, mas espero consegui-lo até o final da tarde”, disse o ex-tratorista que, desempregado, deixou a casa no Jardim Boa Esperança, em Franca, para seguir o MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra). O tempo de espera pela lona com certeza é bem inferior ao do pedaço de terra que tanto sonham. “Estamos na luta há bastante tempo. Não conseguimos ganhar um lote no Boa Sorte (em Restinga), agora chegou a nossa hora. Estou com a esperança renovada”, disse a mulher. “Como não posso comprar uma terrinha para plantar e criar umas vacas e galinhas, a solução é lutar por ela”, completou. Na luta pelo sonho vale tudo. Dormir sobre plásticos, acordar às 5h30 da manhã, tomar banho de caneca e cozinhar em fogão improvisado com tijolos. “Até o nosso filho de 5 anos foi deixado para trás. Vamos primeiro nos estabelecer com uma barraca para depois ir buscá-lo na casa da minha cunhada”, revelou Maurício. Nilton César Eduardo, 35, e Íris Maria Vieira, 40, têm história semelhante. Desempregados, deixaram a casa na qual viviam de favor no Jardim Cambuí, em Franca, com o objetivo de conquistar uma terra própria. Com uma criança de oito meses e um adolescente de 15 anos, que há um ano não freqüenta a escola, a família ingressou no movimento no ano passado. “Queremos seguir o movimento e ganhar um pedaço de terra, por isso acompanhamos as reuniões do grupo e respeitamos o regimento”, afirmou Íris.

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