Edson Arantes
da Redação
O estudante Tiago Rosa Careta, 21, morador de Cristais Paulista, jamais esquecerá o seu primeiro dia de aula na Unifran (Universidade de Franca). Calouro do curso de Administração de Empresas, teve que ser internado segunda-feira à noite após ser vítima de um trote violento promovido por veteranos e novos alunos. Atingido por uma substância química, sofreu queimaduras na cabeça e pescoço. Ele corre o risco de ficar com seqüelas.
A aula de selvageria começou por volta de 21h50, logo após o intervalo. Tiago estava na classe e foi abordado por diversos alunos, os quais cortaram seus cabelos e rasgaram suas roupas. Como os seguranças intervieram, ele foi levado para fora da Unifran. Na Avenida Armando Salles de Oliveira, em frente à Universidade, o trote descambou para a violência.
Quase no fim da brincadeira, foi atingido por uma substância jogada pela também caloura do curso de Administração de Empresa Bruna Barbosa Durães, 18, que estava acompanhada por quase uma dezena de outros universitários. “O líquido acertou minha cabeça e escorreu pelo pescoço. Na hora, começou a queimar e doer muito. Fui até a casa de minha namorada e entrei no chuveiro, mas parece que piorou. A sensação é de que estava pegando fogo na minha cabeça. Pensei que algo pior fosse ocorrer”, disse ele.
Socorrido pelo pai da namorada, o rapaz foi levado à Santa Casa e internado. Segundo o cirurgião plástico que o atendeu, Eurípedes José Florentino Motta, o estudante sofreu uma queimadura química de grau moderado, supostamente causada por permanganato de potássio. “Os ferimentos não são graves, mas, no momento, não temos como precisar se ele ficará com cicatrizes ou sem cabelos nos locais atingidos. Dentro de uma semana poderemos definir o que será preciso fazer”. No fim da tarde de ontem, Tiago recebeu alta e voltou para casa. Ele pretende retornar às aulas na segunda-feira. Seus pais ficaram revoltados com a brutalidade e cobraram punição exemplar aos envolvidos.
INVESTIGAÇÃO
A Polícia Civil já investiga o caso e os agressores podem ser indiciados por lesão corporal. A universitária Bruna Durães, inclusive, prestou depoimento ontem. Outros envolvidos na agressão também serão intimados a dar explicações.
A Universidade prometeu abrir procedimento interno para apurar responsabilidades. Na mesma noite em que Tiago sofreu queimaduras pelo corpo, estudantes da Unifran picharam quatro ônibus da empresa São José e, segundo os motoristas, tentaram virá-los. “Gostaria de deixar claro que foi uma atitude lamentável e absurda. Fiquei indignado com tanta violência”, comentou o delegado Marcelo Rodrigues, que atendeu a ocorrência no plantão.
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