Paulo Godoy
da Redação
A prisão de integrantes de um esquema criminoso bilionário de exportação ilegal de pedras preciosas, sexta-feira, 10, por agentes da Polícia Federal e Receita Federal em Belo Horizonte, respinga em Franca, com um impacto que cresce a cada dia.
A cidade tem um comércio clandestino de diamantes brutos que, se já não se apresenta com o vigor de anos atrás, ainda desperta o interesse de compradores e exportadores de várias partes do Brasil e de países da América do Sul, Itália e Israel, entre outros.
Diariamente, a Praça Barão, no Centro de Franca, concentra um grande número de negociantes. A apreciação das pedras e os negócios são feitos a céu aberto sem muita preocupação com a segurança, enquanto outros, mais sigilosos, são fechados em escritórios localizados em endereços como a Rua General Teles, também no Centro.
A chamada “Operação Carbono”, deflagrada pela Polícia Federal na capital mineira neste final de semana, mandou para a cadeia uma das principais contrabandistas de diamantes do País, Viviane Albertino dos Santos, e, agora, está atrás do principal deles: Hassam Ahmad, africano de Serra Leoa, com descendência libanesa e passaporte belga.
Ahmad já foi considerado o maior negociador de diamantes do Brasil, enquanto Viviane teria feito negócios de mais de um R$ 1 bilhão no intervalo de um ano. Além das pedras que mandava ilegalmente para fora do País, aproveitando-se do tráfico de influência no DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), o esquema ainda envolvia diamantes extraídos em garimpos na África, que entravam no Brasil através de contrabando e aqui eram “esquentados” pelo DNPM como sendo legais e legítimos de áreas de extração brasileiras.
Parte dos comerciantes clandestinos de Franca mantém ligações com Viviane dos Santos, a ponto de alguns deles terem deixado a cidade após a operação federal com medo de os olhos da polícia e da Receita voltarem-se para a cidade. “Não está vendo que ninguém aparece mais na praça?”, perguntou um dos dois entrevistados pelo Comércio na manhã de ontem.
Fraco ou não, decadente ou não, o fato é que o comércio de pedras preciosas em Franca é um assunto quase proibido de ser abordado, apesar da tradição e histórias que o cercam. Um comerciante que se dispôs a falar confirmou a ligação de Franca com outros centros compradores e de contrabando, principalmente venezuelanos, israelenses e italianos.
Por trás de um implorado anonimato, um pequeno comerciante revelou que não há maneira mais fácil de mandar milhões de reais para fora do País que um saquinho plástico com um punhado de diamantes.
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