‘Chorei quando minhas plantações foram embora com o buraco’


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“Ficou mais alto que os muros da minha casa. E passou da sarjeta”. O medo tomou conta de Joana Rosa do Nascimento, 72, que tem uma casa na esquina das ruas Maria Kairalla Haber e Jeferson de Carvalho, no City Petrópolis. Ela conta que chamou a prefeitura quando uma voçoroca apareceu muito perto de sua casa, pois o medo de perder a residência em que mora com seu “Velho” e um neto foi grande. A prefeitura remediou parte da situação. Apesar das rachaduras que a terra usada para atenuar a erosão apresenta devido às recentes chuvas, pelo menos atualmente, a Rua Jeferson de Carvalho e a casa de Joana Rosa não correm perigo. Rachaduras também há no asfalto atingido. E nas lembranças de Joana Rosa. “Chorei quando vi que minhas plantações foram embora com o buraco”. O buraco a que ela se refere, uma voçoroca no fundo do bairro onde mora, próximo ao Colégio Agrícola, ameaçava sua casa. Era o medo de perder a moradia para a erosão acompanhado dos lamentos pelas “lavouras” feitas com tanto carinho e tão importantes no orçamento familiar. “Mangueiras bananeiras, goiabeiras. Pés de milho, de abóbora, de arroz, de feijão. Eu plantava de tudo”, disse Joana Rosa. Ela conta que o cultivo nas terras que se foram com o buraco ajudavam no sustento da família. “Aquela mangueira ali é uma das poucas que sobraram, que não foram engolidas”, apontou e disse Joana Rosa. Hoje em dia, mais do que frutas, a árvore dá sombra ao lixo reciclável que a aposentada recolhe para complementar sua renda. Agora, ao menos a ameaça do buraco diminuiu. Mas o receio não. “A gente tem medo do buraco voltar, aumentar, destruir o resto das plantas e chegar onde a gente mora”.

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