O Brasil é um País atormentado por muitos problemas crônicos. Um deles é a infância.
O desafio consiste em oferecer um futuro digno às crianças e adolescentes. Cada dia se torna mais evidente o sério problema com a seqüência de rebeliões em unidades da Febem.
Observamos que esses órgãos se assemelham a penitenciárias para adultos e sistematicamente não dão conta do menor sob sua guarda.
Fora dos muros da Febem, a realidade da infância no Brasil é igualmente revoltante.
Milhões de jovens crescem sem perspectiva de vida, convencidos de que da situação em que sobrevivem não há retorno.
Ao contrário do que supomos, 72% dos menores que perambulam pelas ruas, vendendo balas ou mesmo praticando pequenos delitos, não moram nas ruas.
Diante de tais cifras surge a pergunta óbvia: se essas crianças têm família e casa para morar, por que continuam nas ruas? Porque o ambiente no lar é insuportável. Muitos são filhos de pais drogados, alcoólatras ou em condições de extrema miséria e, claro, a auto-estima é baixa.
Não funciona enfiar o adolescente infrator num simulacro de prisão e abandoná-lo à própria sorte.
É perverso o fato de que a Febem mistura crianças de 12 anos presas por pequenos delitos com marmanjos de 17 anos donos de um pesado currículo de crimes. O resultado é catastrófico.
Infelizmente a Febem nada mais é que uma ‘escola’ para novos criminosos, pois a maioria dos internos retorna meses após se ver livre.
Temos de somar, ser co-responsáveis na luta para mudar a vida e a visão de mundo de nossos jovens e crianças.
Estimular a construção de projetos educativos que lhes devolvam a auto-estima por meio da vivência com o trabalho e a arte.
Projetos de vida são exatamente uma das mercadorias em falta para a maioria das crianças brasileiras.
Ana Célia de Freitas
é educadora e atua na área de Educação Infantil
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