Mistério cercou operação de invasão


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A reportagem do Comércio da Franca acompanhou toda a ação de invasão da Fazenda Santana na madrugada de sábado. A equipe de reportagem do jornal, contatada por uma fonte que exigiu anonimato no início da noite de sábado, partiu para a cobertura apenas com a informação sobre o local de concentração e preparação da ação e os nomes das pessoas que deveria procurar ao chegar ao local. No clube do Sindicato dos Sapateiros, às 22 horas, com as luzes de fora apagadas, a equipe do Comércio se encontrou com Jean Gomes Nascimento e Mauro Markes, coordenadores do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra), grupo responsável pela ação, que se certificaram de que nenhum dos membros da equipe carregava equipamento de transmissão de rádio. O temor era que informações importantes para o sucesso da operação vazassem para os proprietários da área a ser invadida ou para a polícia. Só após ser interrogada pelos líderes é que a reportagem pôde entrevistar e entrar no pátio onde as famílias estavam concentradas. Como os repórteres do Comércio, a maioria das famílias não sabia a localização da área a ser invadida. As informações eram imprecisas. “É num raio de 50 quilômetros daqui de Franca, não posso falar mais nada. Quando chegar lá vocês ficam sabendo”, avisava Jean. Foi dito em uma primeira reunião do grupo que, para não chamar a atenção, os veículos sairiam em grupos de cinco, obedecendo intervalos de cerca de dez minutos. E que a equipe de reportagem deveria acompanhar o grupo de Mauro Markes. Por volta da uma da madrugada, reuniram-se todos em uma última assembléia e os planos mudaram. As lideranças revelaram que na verdade todos partiriam juntos em um grande comboio, de modo que se tornasse impossível para a polícia deter a todos. Outras recomendações foram feitas: “Não parem de maneira nenhuma. Aconteça o que acontecer, não parem. se alguém quebrar na rodovia ou atolar na estrada, a primeira coisa a fazer é liberar o caminho para os de trás passarem e continuar”. Aproximadamente 50 pessoas que partiram não chegaram ao destino. Alguns se perderam, outros atolaram na lama ou tiveram problemas mecânicos. A passagem para a longa estrada de terra que leva à Fazenda Santana fica na vicinal que liga Cristais Paulista a Águas Quentes. O caminho até a área invadida é tortuoso, o que faz com que a transposição os 50 quilômetros até o destino seja tarefa para mais de 90 minutos. O comboio chegou à fazenda só por volta das 2h30 da manhã. Só então a reportagem foi informada sobre a propriedade, seus donos, e de que a intenção dos sem-terra é na verdade negociar com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) também a desapropriação e assentamento na fazenda ao lado, cujo proprietário seria uma carioca residente em Brasília. A ação teve a participação de membros de outros acampamentos e assentamentos (Fazenda Boa Sorte, em Restinga, e Fazenda da Barra, em Ribeirão Preto) para dar segurança e apoio para as cerca de 150 famílias que de fato devem permanecer na área invadida.

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