Edson Arantes
Enviado especial a Rifaina
A curva da morte voltou a matar. Depois de um breve período de trégua, o perigoso trecho da Rodovia Cândido Portinari, na serra de Rifaina, mostra que continua traiçoeiro e protagoniza nova tragédia. Na manhã de ontem, um caminhão carregado de telhas perdeu os freios e capotou no local. Duas pessoas morreram na hora e uma ficou gravemente ferida.
O acidente ocorreu às 9h30, exatamente no mesmo ponto em que 20 estudantes da Unifran morreram em maio de 2002. No momento caía uma chuva fina e a pista estava molhada. O motorista Paulo Leandro Oliveira, 22, morador de Capitólio (MG), conduzia um caminhão Mercedes Benz azul no sentido a Rifaina, onde entregaria uma carga de telhas. Viajavam com ele os chapas José Lúcio Martins, 44, e Antônio Manoel Duarte, 32.
Tão logo começou a descer o trecho de curvas acentuadas, o motorista percebeu que havia perdido os freios. Desgovernado, o caminhão capotou, bateu na proteção de concreto e parou no meio da pista com as rodas para cima. Os ferros retorcidos da cabine prensaram os ocupantes. Com fraturas na coluna e graves ferimentos pelo corpo, José Lúcio e Antônio Manoel morreram antes mesmo da chegada dos bombeiros. O motorista Paulo Leandro ficou preso às ferragens por mais de uma hora e só conseguiu sobreviver graças ao eficiente e rápido trabalho de socorro. Ele sofreu fraturas expostas na perna direita e foi internado no hospital de Pedregulho.
Como a carga se espalhou pela pista e havia muitos veículos e homens trabalhando no atendimento da ocorrência, o trânsito foi parcialmente interditado nas proximidades por mais de duas horas. O cabo Pires e os soldados Ernani e Renato, da Polícia Rodoviária, controlaram o tráfego para evitar que novos acidentes ocorressem. Já passava das 13 horas quando a rodovia foi liberada.
Segundo informações da polícia, quase 80 pessoas já perderam a vida na curva da morte. O último grave acidente no local ocorreu em abril de 2004, quando um caminhão de brinquedos capotou e matou o motorista. As promessas de implantação de mecanismos de segurança no trecho nunca passaram de bandeiras políticas.
O corpo de José Lúcio Martins será velado e sepultado hoje, 12, em Cássia (MG). Até a noite de sábado, nenhum familiar de Antônio Manoel Duarte esteve no IML de Franca para reclamar o corpo e providenciar seu sepultamento.
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