DOENÇA CRÔNICA


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A crise política exauriu o País. As denúncias, os crimes, as empulhações descaradas e prováveis impunidades impacientam o cidadão. Por exemplo, o assunto deixou de dominar um pouco as conversas rotineiras. Para a opinião pública, a bandalheira está comprovada e resta apenas uma encenação destinada a incriminar o menor número possível de envolvidos. O cansaço geral não pode ser confundido com estupidez generalizada. Gente interessada em minimizar responsabilidades vem usando e abusando de falsos argumentos na esperança de que a repetição transforme mentiras em verdade. Ficou claro que caixa 2 todo mundo faz, e sem cerimônia, com a maior cara-de-pau. Caixa 2 significa um passo adiante no crime de sonegação. Não se monta o esquema para economizar nos impostos, mas para esconder pagadores. Serve para escamotear um dinheiro cuja origem não pode ser revelada. É indecoroso tentar confundir essa falcatrua com liberalidades fiscais de cidadãos que encaram governos como uma conspiração contra seus direitos. Já no caso dos ‘santinhos’ (deveriam usar outro nome, que de santinhos eles não têm nada), um milhão de ‘santinhos’ custa em torno de R$ 18.580 (21 por 10 centímetros). Não é, portanto, um exemplo adequado para se contrapor aos milhões de dólares depositados em contas no exterior de marqueteiros bacanas. Mas o Brasil só sabe mesmo é enriquecer político ladrão. Ana Célia de Freitas é educadora e atua na área de Educação Infantil

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