Parece que a prefeitura de São Paulo poderá ser uma pedra no sapato de Serra. Embora ele já tenha concorrido à Presidência da República uma vez e, portanto, seja mais conhecido do público brasileiro que seu “concorrente” no PSDB, Geraldo Alckmin, alguns tucanos de peso não querem que Serra, pré-candidato à presidência, abandone o cargo que ocupa hoje e pelo qual tanto lutou nas últimas eleições, para tentar ser presidente do Brasil.
“Eu acho que esse momento é do governador Geraldo Alckmin, ele se preparou para isso, tem todas as qualidades e o alicerce necessário para ser um grande presidente da República, não só sob o aspecto ético e pela experiência, mas pela convicção e a paixão com que ele faz a boa política, a política da eficiência”, disse o secretário de Agricultura, Duarte Nogueira Júnior. Ainda segundo ele, Serra também tem essas qualidades, mas, por estar fazendo um bom governo na prefeitura de São Paulo, não seria uma boa atitude abandonar o trabalho que vem sendo feito.
A deputada federal Zulaiê Cobra divide a mesma opinião. E dá como exemplo o que aconteceu com Pimenta da Veiga na época em que abandonou a prefeitura de Belo Horizenote para se candidatar ao governo do Estado. “Ele nunca mais ganhou eleição nenhuma, nem para deputado federal. O Serra tem que ponderar muito essa decisão porque ela é importante para o seu futuro político. Além do mais, ele assumiu um compromisso com o povo de São Paulo”, analisou.
O prefeito de Franca, Sidnei Rocha, pode falar por experiência própria. Ele, que em 1987 abandonou o cargo máximo na prefeitura para assumir a presidência da Vasp, sentiu na pele a rejeição pública. “A população se rebelou. Acho que essa decisão pesa contrariamente, o Serra é um ótimo candidato, mas a saída dele vai causar problemas ao partido por ele deixar a prefeitura da capital com um ano e meio de mandato. Eu, pessoalmente, sei o quanto isso pesa”, disse Rocha.
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