Wildnei Teodoro e Patrícia Paim
da Redação
“Insatisfeita”. Assim se sente a Dirigente de Ensino da Região de Franca, Ivani Marchesi, em relação ao resultado apresentado pela rede estadual no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). “Como educadores, buscamos 100% de aproveitamento”, disse ela sobre os dados divulgados pelo Ministério da Educação na última quarta-feira em que, na média, os estudantes de Franca e região acertaram menos da metade das provas. Ivani não negou a fragilidade do ensino médio brasileiro e afirmou que, antes mesmo da divulgação do ranking, já vinha tomando providências para melhorar o nível educacional.
Os números do Enem em Franca apontam um desempenho médio da rede estadual de 46%, contra 62,9% da rede particular. Ivani afirmou que, para que as escolas públicas alcancem melhor aproveitamento e diminuam a enorme diferença entre elas e as instituições privadas, a partir deste ano, na região, foram implantadas nove escolas com atendimento em tempo integral (5 em Franca), inclusive em cidades que ocupam as últimas posições no quadro comparativo das cidades, como São José da Bela Vista e Itirapuã. “Além disso, todos os professores fizeram curso de capacitação”, disse Marchesi.
PREPARAÇÃO
As medidas tomadas pelo IETC (Instituto Estadual Torquato Caleiro) datam de época mais antiga. A escola, uma das mais tradicionais de Franca, obteve a segunda maior média entre as instituições estaduais da cidade, 47,91, mas bem atrás da Escola Técnica Estadual “Júlio Cardoso” (62,84). “Fizemos um trabalho voltado para o Enem ao longo do ano passado, especialmente em temas que envolvem raciocínio lógico e interpretação”, disse o diretor Luís Antônio Barros. Ainda assim, o resultado da escola não ultrapassou 50% de acertos na prova.
Para a professora aposentada Ivone Janone Moreira, 78, o problema da rede estadual de ensino está na desvalorização que o professor sofre há anos. Para a viúva de Israel Niceus Moreira, professor que dá nome à escola com o pior aproveitamento no Enem em Franca, o resultado é triste. “Nas escolas públicas, falta motivação e o salário é muito baixo. Os colégios particulares pagam melhor e distribuem menos alunos por sala”. Segundo Ivone, enquanto não houver a valorização do professor, o nível de ensino deixará a desejar. “É o professor o principal agente do ensino”.
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