Alguém viu o deputado Roberto Engler?

Terça-feira, 15 horas. Os deputados se acomodam no Plenário Juscelino Kubitschek na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo para mais um dia de trabalho. Quem acompan

08/02/2006 | Tempo de leitura: 4 min

Denise Silva Editora-assistente do caderno Local Terça-feira, 15 horas. Os deputados se acomodam no Plenário Juscelino Kubitschek na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo para mais um dia de trabalho. Quem acompanha as sessões ordinárias com mais atenção se pergunta: por onde anda o deputado Roberto Engler? Ninguém sabe. O tucano não é visto com regularidade em São Paulo há meses. Nesta semana, também não foi à Capital. Em Franca, o paradeiro do deputado é outro mistério. Na tarde de ontem, Engler não atendeu em seu gabinete na Assembléia, no seu escritório de Franca nem no diretório municipal do PSDB. Às 14h45 de ontem, a atendente do gabinete do deputado na Assembléia, identificada como Eliane, confirmou que ele só deve ir para São Paulo na próxima semana. “Mas na semana passada ele chegou na segunda-feira”, disse a zelosa funcionária. O que ele fez, ela não disse. Na quarta-feira, 1º, Engler faltou a um compromisso formalmente importante, ainda mais para quem, como ele, foi líder do governo e de seu partido na Assembléia: o início do ano Legislativo, quando deputados abrem oficialmente os trabalhos de discussão e votação dos projetos. Engler não participou da cerimônia de abertura, que contou com a presença do governador Geraldo Alckmin, candidatíssimo a presidente da República e líder maior de seu partido no Estado de São Paulo. ROTINA Não foi sua primeira ausência num evento importante. Um pouco antes, no dia 31 de janeiro, Engler também não compareceu à cerimônia de posse do presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado), Robson Marinho. O governador do Estado, o presidente da Assembléia, Rodrigo Garcia, e inúmeros deputados, entre eles o francano Gilson de Souza, fizeram questão de participar. Dia 1º de janeiro, outra ausência. Mais uma vez o governador Alckmin; o vice e futuro governador, Cláudio Lembo; o presidente da Assembléia e deputados prestigiaram a posse do novo presidente do Tribunal de Justiça do Estado, o desembargador Celso Limongi. Nada de Engler. A razão do sumiço ninguém explica. Na tarde de ontem, o deputado foi procurado também em seu escritório de Franca. Segundo assessores, ele estaria lá. A reportagem ligou, deixou recados, mas até o fechamento desta edição, não houve retorno. Mesmo em Franca, onde Engler articulou e participou da aliança que levou Sidnei Rocha à vitória nas urnas, suas aparições são tímidas. O deputado bem que tentou se aproximar do prefeito Sidnei Rocha. Duas solenidades polêmicas foram suficientes para acabar com suas pretensões. Na primeira, antes mesmo da posse de Rocha, Engler se “esqueceu” de convidar o então prefeito, Gilmar Dominici (PT), e demais autoridades da cidade, para entregar viaturas doadas pelo governo do Estado à Polícia Militar. Na segunda, poucos dias depois, durante evento na Santa Casa, chegou a agredir a repórter Soraia Veloso, do Comércio, quando questionado sobre o evento na PM e a falta de convites. O caso ganhou repercussão nacional e a atitude de Engler, que ameçou empurrar e xingou a repórter, foi condenada pelas principais entidades de defesa da imprensa e liberdade de expressão do País. Com o passar do tempo e a posse de Sidnei Rocha, a presença do deputado na administração municipal só diminuiu. Até seu indicado a secretário de Governo, o advogado Wagner Artiaga, deixou uma das pastas mais importantes da prefeitura para acupar um cargo burocrático na Feac (Fundação de Esportes, Artes e Cultura). “Engler é um homem complicado”, resumiu o prefeito Sidnei Rocha, durante entrevista ao Comércio, em novembro do ano passado. Tão complicado que Sidnei tem preferido mantê-lo a uma distância confortável do paço municipal. NO OSSO Apesar de pouco visto no cumprimento de suas funções legislativas, o trabalho eleitoral do tucano continua a todo vapor. Muitos chegaram a cogitar que Engler tivesse desistido da reeleição. É pouco provável que essa hipótese tenha sido sequer considerada. Ontem, um assessor, que se identificou como Jairo, garantiu que a candidatura do tucano está mais do que confirmada. “Com certeza. Em 2006, deputado estadual na cabeça”, disse, aparentemente mais animado que seu próprio chefe. Na próxima sexta-feira, Engler deve participar da reunião do PSDB na Câmara Municipal de Franca e lançar sua pré-candidatura (leia mais sobre o evento no texto ao lado). Na última disputa, Engler ficou na suplência e só assumiu uma cadeira graças à indicação de Duarte Nogueira, seu colega de partido, para assumir a Secretaria de Agricultura do Estado. Enquanto Engler continua desaparecido, cabos eleitorais seguem espalhados pela cidade distribuindo panfletos e cartinhas para divulgar os “feitos” de Engler. Sumido dos eventos e solenidades e distante do plenário e da tribuna da Assembléia, Engler foi visto rapidamente ontem em Franca. De camiseta, às 7 horas da manhã, caminhando com a mulher pelo centro da cidade, a 400 quilômetros de São Paulo e do Palácio Nove de Julho, sede do parlamento paulista, onde houve sessão ordinária – e até uma extraordinária – com a presença dos deputados. Não de Roberto Engler, figura cada vez mais rara por lá.

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