Medo, Revolta, Indignação: quando a polícia não protege


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Paulo Godoy da Redação Uma discussão entre moradores no Parque dos Pinhais, sábado à tarde, pode acabar mal para um sargento da Polícia Militar de Franca. O comando da PM já abriu um procedimento investigatório para apurar as denúncias contra o policial, que teria agido com violência e grave ameaça contra dezenas de pessoas no bairro. O sargento nega as acusações. No sábado, pouco depois das 17h, o primeiro-sargento Marcos Emerenciano de Souza, 49, integrante da Força Tática da PM de Franca, teria se desentendido com rapazes que estavam sentados em um banco na esquina da Rua dos Eucaliptos, no Parque dos Pinhais, com menos de 100 metros de comprimento, onde o militar mora há 15 anos. Segundo moradores, o sargento destruiu o banco, feito de alvenaria, com uma barra de ferro, expulsando várias pessoas que estavam no local, o que teria gerado revolta nos vizinhos. Ainda de acordo com moradores, uma aglomeração começou a se formar em torno do sargento. “Sempre foi assim, desde que ele se mudou para cá”, disse o aposentado Pedro Ferreira Cândido, 45. “Persegue gente que ele viu nascer e acha que é o dono da rua e do bairro”, acrescentou. Em diversos depoimentos colhidos pelo Comércio da Franca, o conteúdo foi o mesmo. O sargento Souza já teria se indisposto com a vizinhança muitas vezes ao longo do tempo em que mora no bairro. Acusado de agir como a “autoridade máxima” da Rua dos Eucaliptos, o policial teria tendência a ditar normas e regras, sobretudo aos adolescentes que freqüentam o bairro. “Ele passa e fica olhando as pessoas com ar ameaçador”, disse uma moradora. Outra afirmou que o militar é encontrado com freqüência discutindo com cidadãos por qualquer comportamento que julgue inconveniente. Na ocorrência de sábado, nem com a chegada de três carros da Polícia Militar, o sargento Marcos Emerenciano teria sossegado. Na frente dos companheiros de corporação, a quem teria chamado de “bonecos de farda”, segundo inúmeros populares ouvidos pela reportagem, e cercado por moradores, o sargento teria empurrado ao chão um homem com deficiência física nas pernas. José Nilton da Silva, que, nervoso, não quis falar à reportagem, teria ido conversar com o policial, quando foi empurrado sobre os entulhos do banco que o sargento havia destruído pouco antes. “As pessoas iam linchá-lo aqui”, disse Pedro Ferreira Cândido, que mantém amizade há mais de 15 anos com o sargento Marcos Souza, mas, no entanto, liderou os moradores até o plantão da Polícia Civil, no sábado, e ao Batalhão da PM, ontem de manhã. O policial, além das medidas administrativas, ainda poderá ter que responder por, entre outros crimes, racismo e injúria, já que teria se dirigido a Maria Emília dos Santos, 49, e Aparecida dos Santos Oliveira, 49, como “pretas” e “vagabundas”. “A comunidade não está mais aguentando o que esse homem vem fazendo aqui”, disse Pedro Cândido. “Chegamos ao nosso limite de indignação e revolta contra esse policial”, finalizou.

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