Para delegado seccional, vítima mente


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Três ocorrências estranhas e polêmicas envolvendo a polícia foram registradas em Franca num intervalo de apenas quatro dias. Nelas, a atribuição principal de proteger e servir parece ter sido deixada de lado e a atuação dos policiais gerou inúmeras contestações. A série de derrapadas da polícia começou sexta-feira, quando um industrial do Jardim Petraglia, furtado três vezes em cinco dias, reclamou da falta de empenho das autoridades. Disse não ter sido atendido na Polícia Civil e, o que é pior, orientado por um PM a mudar de endereço se quissesse evitar novos furtos. Ontem, em entrevista ao vereador e radialista Marcelo Valim, no programa Hora do Cacete, na rádio Difusora, o seccional de Franca, Maury de Camargo Segui, afirmou que a vítima mentiu. “Não é verdade que faltou atendimento à vítima. Desde o dia dos fatos, a ocorrência é investigada pela Dise. Acredito que houve um mal-entendido”. Camargo explicou ter se reunido com delegados, investigadores do 3º DP e da DIG, além da própria vítima, ainda na sexta-feira. “Eles (os policiais) explicaram que não poderiam ir à casa do suspeito indicado, pois não é assim que trabalhamos. Não faltou atendimento”. Valim questionou um eventual “corpo mole” que teria sido feito por policiais do 3º DP. A resposta foi rápida: “Isso não aconteceu e creio nas palavras de três dos meus policiais”. Surpreendemente, o delegado atacou o industrial por ele ter relatado a imprensa a série de furtos da qual foi vítima. O rapaz em questão pode até mesmo ser processado: Maury declarou ter aberto inquérito para apurar a denúncia “falsa” feita pela vítima. Inconformado, Marcelo Valim chegou a se exasperar antes de terminar o programa. No caso mais grave, ocorrido na madrugada de ontem, o soldado Maldonado foi preso em flagrante acusado de roubo. Seu envolvimento no crime causou surpresa até mesmo entre os policiais, pois era o encarregado de conduzir pelas estradas da região a maior autoridade da Polícia Militar na cidade, no caso o tenente-coronel Emerson Luiz Justus, comandante do 15º BPM-I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), sediado em Franca, o qual abrange 23 cidades. Maldonado era tido como uma espécie de braço direito do comandante. Além de ser o motorista, residia na mesma cidade (Sertãozinho) que o chefe. Ambos gozaram o mesmo período de férias, mas somente o coronel Emerson se apresentará hoje. O soldado foi levado para o presídio Romão Gomes, em São Paulo. Por fim, sábado, o sargento Marcos foi acusado, por moradores dos Pinhais, de arbitrariedade e uso excessivo de força. O militar nega as acusações, mas ao menos 80 pessoas entregaram um abaixo-assinado no Batalhão. A PM e a Polícia Civil apuram o caso.

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