Na semana passada, o presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Marco Polo del Nero, esteve Franca e prestigiou a estréia da Veterana no Campeonato Paulista da Série A-3, no empate por 2 a 2 com o XV de Jaú. Dez dias depois, que serão completados nesta segunda-feira, ele será reeleito para mais quatro anos no cargo.
Em todo este tempo, procurou se livrar da imagem de seu antecessor, Eduardo José Farah, que renunciou após as denúncias de corrupção que começaram a se avolumar na Justiça e até na CPI do Futebol, no Congresso Nacional.
Se Del Nero permaneceu à sombra de Farah enquanto era seu vice, no comando conseguiu implementar a sua marca: diálogo e ajuda aos clubes, sobretudo aos que enfrentavam maiores dificuldades financeiras, incluindo a Francana, que deve a sua participação à persistência do presidente José Lancha Filho, e da atuação do deputado Gilson de Souza (PFL), mas sem esquecer que nada seria possível sem a permissão da maior autoridade do futebol paulista.
Comércio da Franca - O senhor se surpreendeu com a receptividade de Franca, da diretoria da Francana e do deputado Gilson de Souza?
Marco Polo del Nero - O calor humano foi tão grande que fiquei emocionado. A recepção foi muito gostosa, tanto por parte da Francana quanto por parte do deputado Gilson de Souza e pelo Júnior (Corrêa Neves, diretor-responsável do Comércio). O Gilson (de Souza) é sensacional e o doutor Lancha demonstra seriedade, o que o futebol precisa na atualidade. Vejo que todos os segmentos da sociedade local estão envolvidos em torno da Francana, e tem que ser assim porque hoje, sozinhos, dirigentes não conseguem sustentar um clube. Caso realmente a sociedade se una, com certeza a Francana voltará a ser destaque entre as grandes equipes do Estado e quem sabe na Primeira Divisão.
Comércio - Por que é tão difícil manter um time de futebol no interior?
Del Nero - A Lei Pelé eliminou a possibilidade de os times revelarem jogadores e, com a venda do passe, ganharem dinheiro. Hoje, o presidente de um clube do interior tem necessidade de obter o apoio do prefeito e da iniciativa privada. Pelo que vi em Franca, a cidade está unida no sentido de levar a Francana para o lugar que ela merece, ou seja, a elite do futebol brasileiro.
Comércio - Quais foram suas principais realizações?
Del Nero - Primeiro, colocamos a casa em ordem. Quando assumi, em 2003, o déficit anual da entidade era de R$ 6 milhões. De 2004 para frente, a Federação Paulista de Futebol obteve superávits sucessivos. Esse balanço positivo é necessário para mantermos os campeonatos, desde o profissional até o infantil, passando pelo feminino. Fizemos 16 campeonatos e pagamos todos os custos. Foram 2.632 partidas de futebol com 28.500 atletas. São números fantásticos. Como advogado que sou e defensor do Estado democrático de direito, trato todos da mesma maneira, seja o porteiro da Federação ou ou o presidente do São Paulo Futebol Clube, tricampeão mundial de clubes da Fifa. E, na medida do possível, visitamos as cidades do interior, conversamos com os prefeitos e tentamos convencê-los da importância do futebol para a cidade.
Comércio - E o relacionamento do senhor com a CBF?
Del Nero - Foi muito importante termos reatado as relações com a CBF. Antes (na administração de Eduardo José Farah), os times paulistas eram sistematicamente prejudicados em jogos contra times do Rio, por exemplo. Hoje, não. Em 2004, vimos o Santo André campeão da Copa do Brasil contra o Flamengo em pleno Maracanã. Quando imaginávamos isso? No ano passado, o Paulista de Jundiaí bateu o Fluminense em São Januário. Isso não víamos antes. E no episódio do Sandro Hiroshi, em que o São Paulo perdeu cinco pontos e o Botafogo, que não deveria ganhá-los, ganhou graças ao STJD. Isso, com certeza, não acontece mais.
Comércio - O que o senhor espera da seleção brasileira na Copa do Mundo da Alemanha?
Del Nero - O Brasil não tem amplo favoritismo, mas é o favorito para conquistar a Copa do Mundo. E essa é a minha preocupação porque ninguém discute isso e pode haver uma acomodação perigosa. Da primeira fase, tenho certeza que passaremos. Mas, quando começar o mata-mata, a seleção terá que jogar sério.
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