Patrícia Paim<br />da Redação<br /><br />O ex-prefeito de Restinga, Clarindo Ferracioli (Belão), quer alçar vôos mais altos. Prefeito por três vezes de sua cidade, Belão quer agora se eleger deputado federal. Ele afirma que chegou a ser convidado para disputar as eleições para deputado estadual, mas sua intenção é chegar a Brasília. Confiante de que se mudará para a capital federal, optou por trocar de partido, mudança, segundo ele, estratégica. “No PMDB, eu precisaria obter 70 mil votos para me eleger e no PSC, 40 mil. Agora as minhas chances de ganhar são maiores”. Belão afirma que entrou para ganhar e acredita que obterá votos até mesmo em Campinas, Santos e São Paulo. Para ele, serão mais de 50 mil votos. Como receberá tantos votos? Ele recorrerá à amizade conquistada em toda a região. “Só em Campinas conheço mais de mil pessoas. Mas a verdade é que vou ganhar votos no Estado inteiro”. Mesmo com toda a confiança, Belão admite não estar preparado para assumir a cadeira de deputado federal, mas garante que estará ao fim das eleições. Isso não o abala em nada, pelo contrário. Ele está em campanha solitária, “baseada em muita saliva e sola de botina” e conta “com a solidariedade dos amigos”.<br /><br /><em><strong>Comércio da Franca - Quando o senhor entrou para a política?</strong></em><br /><strong>Clarindo Ferracioli (Belão)</strong> - Comecei minha vida pública em 1977 ao me candidatar a vereador. Tinha 21 anos e fui o segundo mais votado em Restinga pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Na eleição seguinte fui candidato a vice do Carlos Valim e ganhamos. Em 1988, fui eleito prefeito pela primeira vez. Em 1992, não pude me candidatar, já que não tinha reeleição naquela época, mas meu candidato venceu. Então fiquei quatro anos trabalhando como diretor do Departamento de Obras até as eleições seguintes, quando voltei a ser prefeito de Restinga. Com a reeleição, fiquei até 2004. E nas últimas eleições consegui eleger o meu vice, Amarildo Nascimento. Então voltei a trabalhar no Departamento de Obras, já pensando nas eleições de 2006 para deputado federal.<br /><br /><strong><em>Comércio - O que o fez deixar o PMDB depois de tantos anos e passar para o PSC?</em></strong><br /><strong>Belão </strong>- Foi por questões políticas. Como candidato a deputado federal pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) teria que ter 70 mil votos e pelo PSC (Partido Social Cristão), 40 mil votos. Então decidi mudar de partido para ter mais chances. Estou confiante de que vou conseguir os votos necessários. Só em Restinga acredito que terei 80% dos votos dos cinco mil eleitores. Também devo ter muitos votos na região, que totaliza 400 mil eleitores.<br /><br /><strong><em>Comércio - Quantos dos 40 mil votos necessários o senhor espera conseguir?</em></strong><br /><strong>Belão </strong>- 50 mil votos. Serei votado em toda a região e em Santos, Campinas e São Paulo.<br /><br /><em><strong>Comércio - O que o leva a acreditar que terá tantos votos se até mesmo em Franca devem existir pessoas que nunca ouviram falar em Belão?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- Tenho quatro irmãos que são empresários em Campinas e têm muitos funcionários. Conheço mais de mil pessoas naquela cidade. Em breve farei reunião lá e espero reunir 4 mil pessoas. Terei votos no Estado inteiro.<br /><br /><em><strong>Comércio - Por que se candidatar logo a deputado federal e não estadual?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- Tive proposta para me candidatar a estadual, mas não quis. A minha intenção sempre foi outra. Estou me preparando há mais de ano para isso. A minha meta é vencer obstáculos. Quando decidi me lançar candidato a deputado federal, pensava em ajudar a região. Franca hoje tem dois deputados estaduais e não tem representação em Brasília. Eu sou político, faço política. Já fui vereador, vice-prefeito e prefeito, agora quero ser deputado. Como deputado federal eu terei mais chances de colaborar. Tenho certeza de que com a experiência que tenho e a vontade de trabalhar vou chegar lá.<br /><br /><em><strong>Comércio - O que o leva a pensar que ganhará essa eleição?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- Tenho 30 anos de vida pública e fiz muitos amigos. Sou amigo de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores nos 25 municípios da região. Não tenho inimigos, nem pessoais nem políticos.<br /><br /><em><strong>Comércio - O senhor teria coragem de pedir voto à ex-presidente da Câmara, Ana Pit, com quem travou muitas brigas?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- Com certeza. Agora o negócio é mais amplo. A minha campanha saiu um pouco de Restinga. Na época, ela tinha a pretensão política dela e eu a minha. Queria eleger meu candidato. Foi briga de momento; ficou no passado.<br /><br /><em><strong>Comércio - Mas o senhor já foi lá pedir apoio?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- (Risos). Ainda não cheguei nesse momento. Mas se precisar não teria nenhum problema em ir lá. Acho até que ela teria condições de votar em mim. É preciso pensar no geral.<br /><br /><strong><em>Comércio - Alguém o está orientando nessa campanha?</em></strong><br /><strong>Belão </strong>- Conto com o apoio e a solidariedade dos amigos. Tento convencer as pessoas da necessidade de a região eleger um federal.<br /><br /><em><strong>Comércio - De onde vem o dinheiro para a campanha e quanto será gasto?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- Ainda não tenho previsão. Mas evidentemente que se gasta muito com viagens, reuniões, brindes, entre outros. Uma coisa é fazer uma campanha para prefeito; outra, para deputado. Os gastos são outros. Só na região são 400 mil eleitores; se for fazer “santinho” para chegar a todos eles, haja dinheiro. Por isso, vou visitar os municípios. Se eu tiver que tirar dinheiro do bolso, farei isso. Minha campanha será baseada em muita saliva e sola de botina.<br /><br /><em><strong>Comércio - O senhor tem feito promessas?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- A minha única promessa é trabalhar muito em prol da região.<br /><br /><em><strong>Comércio - O senhor conhece Brasília?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- Sim. Estive em reuniões de prefeitos lá. Estou me preparando para mudar para lá.<br /><br /><em><strong>Comércio - O senhor se considera preparado para ser deputado federal?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- Não totalmente. No decorrer da campanha vou me preparando para isso.<br /><br /><em><strong>Comércio - Se não conseguir se eleger pretende voltar a se candidatar a prefeito?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- Não, de forma alguma vou sair enfraquecido. Evidentemente que quando se entra em uma campanha tem que entrar para ganhar. Mas se o resultado não for o esperado, é preciso estar preparado para isso também. O meu pensamento é para ganhar.<br /><br /><em><strong>Comércio - E além de tentar se eleger para deputado federal, quais são suas pretensões políticas para o futuro?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- No momento estou com a cabeça na campanha para deputado federal. Só penso nisso.<br /><br /><em><strong>Comércio - Quando prefeito, o senhor conseguiu colocar praticamente toda a população contra a então presidente da Câmara, Ana Pit; seu irmão fez o mesmo como prefeito de São José da Bela Vista. Que poder é esse que os Ferracioli exercem sobre o povo?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- (Risos) Imagina. O segredo é trabalhar direito. Em Restinga, por exemplo, a população levou pelo lado pessoal, já que a Câmara deixou de aprovar muitos projetos que beneficiavam a cidade. Evidentemente que eu tinha que colocar a população a par disso, então ganhei apoio. O Wilson (irmão) está fazendo o mesmo em São José.<br /><br /><strong><em>Comércio - O seu irmão nunca havia se candidatado a nada e foi eleito logo prefeito. Ele fez escola com o senhor?</em></strong><br /><strong>Belão </strong>- Costumo orientar ele, sim. Conversamos muito. Falei pra ele deixar a porta do gabinete sempre aberta e falar com todo mundo, assim como sempre fiz em Restinga. Ele está fazendo o mesmo em São José.<br /><br /><em><strong>Comércio - O senhor orienta seu irmão, e quem orienta o senhor?</strong></em><br /><strong>Belão </strong>- Tenho um bom contato com os dois estaduais de Franca. Conversamos sempre, mas não sei se fecharei com algum deles.
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