Nelise Luques
da Redação
O ano letivo está de volta. Em Franca, são quase 100 mil alunos. Os da rede particular já voltaram às aulas, os das escolas municipais iniciam o primeiro semestre nesta quarta-feira e os matriculados nas unidades do governo do Estado, no dia 13. Tudo certo? Errado. O serviço de transporte coletivo ainda não está em dia. Segundo estimativa da Guarda Municipal de Franca, responsável pela fiscalização, existem 125 vans que transportam estudantes na cidade. O problema é que até sexta-feira, menos de 10% do total, ou seja, apenas 11, haviam acertado os documentos para 2006. Como a renovação é semestral, é possível afirmar que mais de 90% delas estão com o alvará vencido ou prestes a vencer.
O responsável por expedir as vistorias na Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito), o escrivão Daniel Branquinho, reconhece a baixa procura. “As escolas já estão voltando das férias, mas, mais uma vez, os motoristas deixaram tudo para a última hora”, disse.
Duas vezes ao ano, o veículo deve ser submetido à inspeção para verificação dos equipamentos obrigatórios, de segurança, das adaptações exigidas (confira os itens em quadro ao lado) pela portaria 1.153, de 2002, do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e renovação do alvará de prestação de serviços autônomos emitido pela prefeitura municipal.
O chefe da Guarda Civil Municipal, Sérgio Buranelli, promete intensificar o combate às irregularidades. Ele disse que o convênio da prefeitura com o Estado permitirá aos guardas e policiais militares reforçar a fiscalização junto aos transportadores. “Com o reinício das aulas, vamos intensificar o trabalho com as vans para verificação dos documentos, autorizações e equipamentos obrigatórios”. Buranelli disse que o principal problema é o excesso de lotação, mas não soube informar o valor da multa cobrada nesses casos. Dependendo da penalidade, o veículo poderá até ser retido.
FORAS-DA-LEI
Quem está em dia com os documentos de sua van é prejudicado pelos que estão em situação irregular. Hoje, 5, vence o alvará e o veículo da motorista Cláudia Bolsoni terá de ser vistoriado. Para isso, pagará R$ 91,94 (R$ 76,62 da vistoria mais R$ 15,32 pela autorização), a primeira taxa de 2006 para continuar regularizada para transportar os alunos. “A gente gasta esse valor duas vezes a cada ano, equipa corretamente a van, mas acaba tendo de conviver com os motoristas clandestinos, que cobram mais barato pelo serviço e nos prejudicam”.
Consultados pela reportagem, três perueiros, que pediram para não ser identificados, disseram que não há fiscalização dos veículos. “Só ameaçam, principalmente no começo do ano. Faz mais de dois anos que não passo por vistoria da polícia”, disse um deles. Resta aos pais e responsáveis prestar atenção às condições do veículo que levará seus filhos à escola.
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