Protesto contra o barulho


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Alfredo Palermo A imprensa está chamando as autoridades para o grave problema das infrações decorrentes dos ruídos exagerados, enervantes e insuportáveis que caracterizam a balbúrdia administrativa deste País. Na edição do domingo passado, a revista Veja apresentou um artigo de Cláudio de Moura Castro, recém-chegado da Suíça, artigo esse intitulado ‘No País dos Decibéis’, em que compara os excessos de ruídos do Brasil com a situação da Suíça: ‘Aqui estou depositado no país dos decibéis. Ônibus e caminhões urram dentro da lei dos 88 decibéis máximos, quando na Europa são 74...// As salas de aula não têm tratamento acústico... Nos restaurantes, a barulheira não está no cardápio...’ E fala que até nas expressões musicais a música das boates é ensurdecedora, mas ele sabe como evitar: ‘Não entro nelas’... O outro importante artigo contra as infrações poluidoras das cidades se denomina ‘A tortura do barulho’ e foi publicada na edição do dia 1.º, na página ‘Notas & Informações’. Depois de comentar o artigo de Cláudio de Moura Castro, que acima foi referido, o Estadão acrescenta: ‘Os efeitos desse desrespeito geral ao direito ao silêncio dos cidadãos são sentidos diariamente, ou noturnamente - um autêntico estupro auditivo...’ Franca tem também seus excessos de ruídos insuportáveis. Em certos dias, carros com alto-falantes abertos e sem medida agridem as pessoas nas ruas e nas praças. Rapazes com seus aparelhos de som amalucados circulam pelas ruas, de dia e de noite. Quem reside em ruas do Centro da cidade sofre à noite com a música-barulho em seu mais alto volume. E motocicletas com escapamentos ruidosos e, às vezes, com freadas rascantes circulam pela noite afora, acelerando com estrondo: pessoas que assistem programas de TV sofrem com as motocas de motoqueiros ensandecidos. Bem, temos autoridades administrativas e judiciárias. Espero que leiam os artigos estampados na revista Veja e no Estadão. Estou certo de que os poluidores contumazes serão identificados. E entenderão que há decibéis a respeitar com suas máquinas envenenadas. ALFREDO PALERMO é professor, advogado, historiador, jornalista e escritor membro da Academia Ribeirão-Pretana de Letras e da Academia Francana de Letras. Colabora com o jornal Comércio da Franca há mais de 60 anos.

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