Arnon Gomes
da Redação
Eles dedicaram a vida ao trabalho no campo. Exercem seus ofícios em regime familiar e passam seus ensinamentos às futuras gerações. Todos os dias, colhem os frutos do que plantam e saem de seus sítios ainda de madrugada para levá-los às mesas de milhares de pessoas. Assim é a rotina dos produtores rurais que trabalham nas feiras e no Ceasa, o mercado de frutas, verduras e legumes da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo).
“É uma atividade que exige dedicação e amor ao que se faz”, ensina Jácomo Melani, 70, produtor rural há 24 anos. Em seu sítio, de aproximadamente 40 hectares, na Rodovia Felipe Calixto, ele produz frutas, verduras e legumes. Desde quando aderiu a essa profissão, a rotina tem sido a mesma. Acorda bem antes de o dia clarear, por volta das 4 horas. Primeiro organiza as caixas com mangas, bananas, mandiocas, jilós, beringelas e vagens, resultantes da colheita do dia anterior. Em seguida, coloca-as na mesma caminhonete usada há 15 anos para fazer a entrega nas feiras da cidade.
UM DIA COM JÁCOMO
Quinta, 5 de janeiro, dia de feira na Rua Oscar Brasilino Santos, Centro. Ainda era madrugada. Chovia forte, mas os feirantes já estavam por lá, montando suas barracas e arrumando as mercadorias. Jácomo chegou às 4h30. Logo foi saudado por um de seus clientes mais antigos: Rubens Parra, 53, feirante há 28 anos. “Oh, Seu Jaco, traz minhas mandiocas aqui, só falta isso para acabar”.
Ao desembarcar na feira, Seu Jaco, ou Jacominho, como os amigos o chamam, não quer perder tempo. Com vigor de garoto, sobe e desce da caçamba da caminhonete, tira as caixas, cada uma com cerca de 12 quilos, e as leva aos clientes. Mas antes, verifica se os produtos estão em boas condições. Tudo tinha de ser feito rapidamente. Dentro de uma hora, precisaria estar no Ceasa.
SEGUNDA PARADA
Lá, todas as segundas e quintas-feiras, Jácomo se junta aos outros 51 permissionários que estavam no local. Desse total, 26 comerciantes, assim como Jácomo, também são produtores. Em um setor tradicionalmente conhecido como “sacolão”, a movimentação é intensa. O sol ainda nem havia nascido e centenas de caixas já estavam pelo chão. Os vendedores andavam de um lado para o outro, descarregando mercadorias. Quando chegavam os primeiros fregueses, se ouvia: “Pague um, leve dois”; “Moça bonita não paga, mas também não leva”.
Na Ceagesp, Jácomo se sente em casa. É conhecido por todos. A fama tem explicação. Na unidade de Franca, Jácomo é permissionário desde 1983, quando foi inaugurada. E é fácil encontrá-lo. Ocupa o primeiro dos 76 módulos da área. Trabalha ao lado do filho, Evandir Donizete Melani, companheiro do pai desde a infância.
A paixão pelo trabalho no campo está no sangue. Donizete conta que o filho de 7 anos aprecia a atividade e gosta de ir para a roça acompanhar o trabalho do avô, desde a colheita, passando pela adubação e pulverização até os frutos chegarem às caixas e depois, à caminhonete.
Jácomo costuma ficar no Ceasa até a hora do almoço. De lá, volta para o sítio. Tenta recuperar o sono perdido na noite anterior e retorna ao campo. É preciso organizar a colheita para levá-la às feiras no dia seguinte.
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