Parte dos 26 produtores cadastrados no Ceasa trabalha em regime familiar, tanto no campo como no mercado. Numa dessas famílias, tudo começou há 40 anos, quando Valdeci Antonio David, 68, passou a plantar alho, cebola, batatas e pepinos. Descendente de imigrantes italianos, esse senhor de cabelos grisalhos e fala mansa continua na mesma rotina. Toda semana, Valdeci está no Ceasa preparado para vender suas colheitas.
Às segundas e quintas-feiras, por volta das 3h30, partem todos no mesmo caminhão, com destino à Ceagesp: Valdeci, os filhos e os cunhados. Descarregam caixas com mangas, abacates e bananas. Estas, aliás, são as “estrelas” da produção. “Por semana, conseguimos produzir 50 caixas de bananas”, diz o filho Luís Antonio David, 44. “E com um detalhe: são todas naturais, não passam por câmara”. Por mês, destaca Luís Antonio, são produzidas até 300 caixas, cada uma com 15 quilos.
Apesar de ainda nem ter chegado aos 50, Luís Antonio já se considera um veterano na produção rural. Começou a acompanhar o pai aos 11 anos e não pensa em parar tão cedo. “É uma atividade que está no sangue”.
UMA LUTA DIÁRIA
Manter a produção não sai barato. Segundo Valdeci, são gastos mais de R$ 4 mil por mês com os cinco funcionários, todos registrados. Outros R$ 5 mil cobrem despesas com equipamentos – trator e óleo para a caminhonete, por exemplo. “Além disso, freqüentemente, gastamos também com adubação e produtos químicos”.
“Ser verdureiro não é fácil, não podemos deixar de colher um dia”, ensina Valdeci. “Se parar, a produção diminui”. E os preços também aumentam. Em janeiro, por exemplo, em razão das chuvas e da safra de janeiro, os produtos de folhas, como alface e rúculas, registraram alta de 15% a 20% no Ceasa.
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