Trigêmeos dependem de doações ao Banco de Leite


| Tempo de leitura: 2 min
Nelise Luques da Redação Aos 24 anos, Rose Cleide Severiano da Silva já é mãe de cinco filhos. O mais velho tem 10 anos, o segundo, 7, e três chegaram no dia 20 de dezembro de 2005. Por serem prematuros (sete meses) não puderam passar o Natal nem o primeiro mês de 2006 ao lado dos familiares, na Fazenda Lage, em Ibiraci (MG). Com dificuldades para se deslocar até a Santa Casa de Franca, a mãe, durante um mês e dez dias, passou poucas horas com os trigêmeos e os visitou apenas duas vezes por semana, quando conseguia carona com um veículo da prefeitura de Ibiraci. “Senti saudade. É muito ruim voltar para casa sem meus filhos”. Os médicos não têm previsão de alta para os bebês. A principal contribuição para que Késia (nasceu com 950 gramas e agora pesa 1.300 g), Kedma (1.090 g; 1.480 g) e Samuel (1.330 g; 1.670 g) voltem para casa é o aumento das doações ao Banco de Leite Humano da Santa Casa. Rose não tem leite. O material doado é destinado à alimentação dos prematuros de três hospitais da cidade (Santa Casa, Regional e Unimed São Joaquim). O problema é que desde dezembro a captação de leite humano está em queda. Em janeiro de 2006, foram coletados 28 litros, 17% a menos que em novembro, quando o banco bateu recorde com 34 litros captados. Em dezembro foram apenas 22 litros. “Com as festas e férias, as pessoas têm outras prioridades. Coincidentemente, tivemos muitos bebês prematuros e a UTI Neonatal está com todas as dez vagas ocupadas. Priorizamos as crianças com menor tamanho”, disse Lélia Margarido, gestora da Clínica pediátrica e materno-infantil da Santa Casa. Todas são alimentadas por sonda, oito vezes ao dia. Juntos, os trigêmeos consomem aproximadamente um litro diariamente. O leite materno é o único componente da dieta dos recém-nascidos e essencial para que ganhem peso. As crianças são liberadas quando atingem 2 quilos. “Precisamos de mais doações para não termos falta”, disse a enfermeira Márcia Cardoso, responsável técnica do banco. FALTA CONTRIBUIÇÃO A região depende do Banco de Leite da Santa Casa. As crianças nascidas e alimentadas com as coletas da unidade são de Franca e a outras 21 cidades pertencentes à DIR (Diretoria Regional de Saúde)-13. A meta é atingir os 100 litros de captação por mês para atender à demanda de Franca e região. “A pessoa doa o leite excedente. Ninguém tira o leite do filho dela e o alimento salva vidas”, disse a médica Lélia (leia mais sobre doação em texto abaixo). Morro Agudo foi a única cidade a montar um posto de coleta no fim de 2005. Até o momento, o ponto vizinho doou cerca de 12 litros para a Santa Casa.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários