Vida na Calçada


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Por volta de 12h30 de terça-feira, 31, Joaquim Ramos de Oliveira, 63, abriu o portão de sua casa com uma panela de arroz, feijão, abóbora e carne e um copo de água nas mãos. É hora de almoçar. Na calçada. Ao lado dele, embaixo de uma árvore com sombra fresca e proteção contra o sol forte, estavam as netas trigêmeas Fabiana Cristina, Flávia Maira e Fernanda Kely, 6 anos, o vizinho Valdir Antônio da Silva - “grande companheiro de conversas” - e outras crianças. A cena, típica de cidades menores e dos bairros distantes da região central, é comum e não acontece apenas em frente à residência do senhor Joaquim, na Avenida Cézar Pirajá, número 1.138. Os moradores do Aeroporto III gostam de ficar sentados na rua para conversar com os vizinhos e parentes enquanto os filhos brincam por ali. As trigêmeas fazem da calçada espaço de diversão e adoram “brincar de escolinha e de fazer comidinha”, assim como o avô Joaquim, que mora no local há 19 anos e “adota” o ponto para descansar, observando o que se passa na avenida. “Passo horas por aqui com os vizinhos e minha família. No sábado, a gente chega a ficar na rua papeando até dez horas da noite”, disse. Na mesma terça-feira, no fim da avenida, enquanto tocava música alta em uma das casas, a sapateira Juliana Alves dos Santos, 21, e seus dois filhos, de 4 e 2 anos, estavam sentados na rua e na calçada conversando com uma turma grande. Ela comprou uma casa no bairro há dois anos, mora com cinco adultos e seis crianças. “Ficar aqui na calçada é muito bom, mas poderia ser bem melhor e tranqüilo se o Aeroporto (III) não estivesse tão abandonado”. As principais solicitações dos moradores são limpeza dos terrenos, capina dos matos e remendo dos buracos espalhados pelas ruas. “Aqui tem muita bananeira plantada e as cobras gostam de fazer ninhos nelas. Já cansei de matar bicho na calçada”. A preocupação dela com o aparecimento de insetos, roedores e animais peçonhentos é ainda maior porque sua filha de apenas 2 anos não pode ser picada. “Ela tem sopro (problema no coração), fez uma cirurgia quando era bebê e se algum bicho mordê-la, terá febre e vou ter que correr para o médico”.

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