No Brasil, apesar da prevalência de uma população jovem, a maior parte dos recursos é sugada pelo sistema previdenciário, que privilegia funcionários públicos (do alto escalão) e, claro, os políticos. Sobra menos dinheiro para investir em saúde e educação.
Em suma, quase toda contribuição dos mais pobres acaba financiando a aposentadoria dos mais ricos.
O Brasil destina 25% do PIB (Produto Interno Bruto) à área social, mas não consegue reduzir a pobreza. O investimento é alto, mas os programas sociais não atendem os mais pobres. Quase todo o dinheiro é usado para custear o sistema previdenciário dos mais ricos. As classes mais baixas pagam impostos para que as mais altas usufruam de educação e saúde.
O Brasil poderia fazer muito mais e melhor pelos pobres. O grande problema do modelo brasileiro de gastos sociais está na Constituição, que estabelece os percentuais do PIB que devem ser investidos em algumas áreas.
Para atingir os mais pobres, o Brasil deveria focalizar os gastos diretamente nas camadas menos favorecidas.
É preciso manter o regime democrático com transparência de informações e regras claras, espaço aberto para críticas e combater o uso irregular e o desvio de recursos. Isto seria democracia.
Na educação, seria necessário concentrar os investimentos na formação de professores. Só com educação um país consegue crescer e, conseqüentemente, diminuir a violência.
Na área da saúde, é necessário investir em programas de prevenção, principalmente fora das grandes cidades.
Um aspecto importante, na minha concepção, deveria ser considerado: a existência da democracia, com a consolidação dos sistemas democráticos, quando se observa a desigualdade social e a pobreza, a primeira pergunta que se faz é por que ninguém toma providência a esse respeito? Só há uma resposta: falta de vontade dos governos.
Ana Célia de Freitas
é educadora e atua na área de Educação Infantil
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