“Estão brincando com a gente”. A frase indignada é do empresário Roberto Francisco Pereira. Morador da Rua Augusto Miller, no Recreio Campo Belo, Pereira teve 1.500 metros quadrados do fundo de sua chácara comprometidos por uma voçoroca que surgiu em minutos há dois anos (leia mais nesta página). Agora, além de se preocupar com a cratera que cresce a cada chuva forte e temendo novos deslizamentos, o empresário ganhou mais uma dor de cabeça.
Parte da tubulação usada para a construção da rede de galerias que evitariam o crescimento do buraco está rachada e terá que ser substituída. “E se esse tubos rompem e comprometem não só a minha casa, mas a integridade física da minha família?”, questiona.
O buraco que preocupa os moradores da região tem cerca de 35 mil metros quadrados e entre 8 e 10 metros de profundidade. Segundo especialistas, surgiu por conta do escoamento irregular das águas da chuva. Como não existiam galerias no local, a enxurrada caía direto no terreno o que provocou o deslizamento de terra. Construir uma galeria para escoar a água seria uma maneira de evitar novos problemas.
Mas, por enquanto, os moradores não podem ficar mais aliviados. O presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), Alexandre Godói, confirmou que, dos cerca de 130 metros do serviço já realizado na Rua Augusto Miller, 30 terão que ser refeitos. Ele disse que engenheiros da empresa encontraram rachaduras “Em razão das rachaduras, essa frente da obras está paralisada. Haverá averiguação da razão do problema, mas a troca de todos os tubos fissurados está confirmada”.
Godói estima que 6 dias serão gastos para trocar a tubulação defeituosa e disse não poder dimensionar o valor do encarecimento resultante da substituição. Ele afirmou que esse tipo de ocorrência em obras de galeria é comum e que a responsabilidade pelo prejuízo decorrente da troca ainda não está definida, pois não se sabe se houve erro de engenharia da Emdef ou anormalidade com os tubos fornecidos. Técnicos da empresa que vendeu os equipamentos devem vir a Franca nos próximos dias para verificar a situação da tubulação problemática. Somente depois da visita e avaliação da situação, as obras devem ser retomadas.
SEM FIM
Enquanto isso, continua o sofrimento dos moradores. “O receio agora, além da voçoroca, é a segurança dessa obra. Gostaria que houvesse uma fiscalização que garantisse o uso de material de qualidade”, disse o aposentado Mário Zago. Com autoridade de quem foi pedreiro por mais de 30 anos, Zago adverte: “Não se pode brincar com obras”.
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