LOUCO POR ANIMAIS


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O Delegado Seccional de Franca, Maury de Camargo Segui, 45, cria 60 gatos e cinco cachorros em sua chácara no Recreio Campo Belo. Maury se lembra com detalhes do primeiro animal que levou para casa, há cinco anos. Ele conta que ainda morava em Ribeirão Preto e num sábado ensolarado, pela manhã, se deparou com a vizinha lavando a garagem e varrendo um filhote de gato. “Quando vi aquela bola de pêlo pequena no chão, corri e levei para criar”. O nome escolhido para a gata foi Carlota - ela era gorda - e o apelido A General - porque era agressiva. “Ela era muito brava, batia nos outros gatos para mostrar que mandava no pedaço, mas, há uns quatro anos, ao encontrar resistência para a subordinação dos outros, entrou em depressão e fugiu”, tenta explicar como quem entende do assunto. Carlota foi embora, mas a criação dos felinos continua e volumosa na casa de Maury. Os 60 gatos (de todas as raças) foram retirados das ruas e formariam uma população bem maior se Maury Segui não fosse habituado a doar os animais freqüentemente ou se eles não fugissem. “Tiro-os da rua, cuido e depois presenteio as pessoas. Já dei muitos gatinhos”. O delegado se mudou para Franca no ano passado e trouxe todos os seus bichos de estimação. Para o transporte foi organizada uma estrutura especial. Em gaiolas, os animais vieram transportados em um furgão com ar condicionado, sob supervisão de um veterinário. Na chácara, montou-se um ‘gatil’ com espaço apropriado para defecarem, beberem água e com instalação hidráulica para facilitar a limpeza. O próprio seccional cuida da área de criação. “Lavo duas vezes todos os dias, dou a ração e medicamentos necessários”. Por mês, a prole consome 150 quilos de ração. “Gasto em torno de R$ 500 com alimentação, remédios e pequenas cirurgias, que eventualmente precisam fazer”, disse Maury. As fêmeas são esterilizadas e os “machos chorões” castrados. “Os gatos são como os homens e ficam agressivos quando eles querem e as fêmeas não, por isso tenho que castrar para evitar as gritarias no quintal e agressividade”. Nem todos têm garantia de ganhar o nome, apenas de estar em um novo espaço e bem cuidados. “Crio os gatos por amor aos animais, por me preocupar com eles. Não acho certo deixar filhotes abandonados. Continuarei adotando”. AMIGO DO HOMEM O delegado Maury Segui não é o único apaixonado pelos bichos. Mesmo sem criar tantos animais, a estudante Leidiane Ribeirão, 18, não esconde a alegria em conviver com seus dois cães. F, da raça maltês, tem três anos e Cliford, um collie, dois. Ambos foram presentes. “Acho que o cão tem uma cumplicidade com o dono muito forte. Não conheço outro animal que aja assim. Meus cachorros percebem como estou. Se chego triste em casa, não fazem tanta festa, ficam apenas carinhosos, mas se estou feliz, pulam, correm, latem. É incrível”. O menor, F, costuma dormir com ela e ser seu defensor. “Ele fica deitado comigo no travesseiro. Quando não gosta de alguém, avança e briga para a pessoa não chegar perto”.

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