Durante todo o dia de ontem, o Comércio da Franca tentou entrevistar o secretário estadual de Saúde, Luís Roberto Barradas, alvo preferencial das críticas do prefeito Sidnei Franco da Rocha, ao lado do governador Geraldo Alckmin. O secretário não atendeu à reportagem. Em seu lugar, foi designada a coordenadora de Regiões de Saúde, Maria Iracema Leonardi, que começou a conversa qualificando a atitude do prefeito de Franca de “retrocesso”, sem dizer se é mais político ou institucional. Mas quem ouve a coordenadora falar sobre a atuação do Estado nos 480 municípios paulistas que não aderiram à gestão plena pode acreditar que o governo paulista oferece o paraíso na Terra e que a opção de Sidnei Rocha não é ruim nem trará prejuízos à cidade.
Para Maria Iracema Leonardi, a Secretaria de Saúde, por meio da DIR 13, de Franca, caso seja mantida a decisão do prefeito Sidnei Rocha, assumiria o atendimento médico não básico. Os procedimentos mais simples, como clínica geral e consultas pediátricas, por exemplo, ou programas, como o de Saúde da Família, continuariam nas mãos da prefeitura. É das administrações municipais da região, também, a responsabilidade por este tipo de atendimento.
Casos mais específicos e de maior complexidade, tanto locais quanto regionais, seriam analisados por uma central de vagas administrada pela DIR, que decidiria pelo encaminhamento. Se o local escolhido for a Santa Casa de Franca, a instituição receberá os recursos diretamente do governo estadual.
“Não é porque o município está abrindo mão da gestão plena que a população ficará sem assistência”, garante a coordenadora. “Se todos os trâmites para a devolução da gestão forem cumpridos e obedecidos, o Estado assumirá a saúde em Franca e região sem nenhum problema”, acrescentou.
A coordenadora negou que houvesse ocorrido uma piora no atendimento, com filas maiores e maior tempo de espera para os pacientes de Presidente Prudente e mais as 44 cidades que formam aquela região, no Oeste do Estado. “Não é a minha impressão”, disse Leonardi, que citou como exemplos as caravanas para acabar com as longas filas que existiam até março, quando a prefeitura de Prudente entregou a gestão plena.
Ao voltar a falar em “retrocesso”, desta vez sob o ponto de vista histórico, Maria Iracema Leonardi disse que, também para ela, os recursos disponibilizados pelo Ministério da Saúde são insuficientes para gerenciar a saúde pública. “Mas existem questões maiores e mais complexas a serem resolvidas”.
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