EU NÃO SOU BUNDA MOLE


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O prefeito de Franca, Sidnei Franco da Rocha (PSDB), adota uma curiosa e recorrente tática quando se trata de defender-se ou atacar, sejam quais forem as situações. Após fugir da imprensa e se recusar a atender o Comércio, Rocha foi até a Rádio Hertz AM, emissora de sua propriedade, onde, microfones abertos, disse que “a imprensa de oposição” só diz o que interessa, deixando sua versão de fora. Na Hertz, é claro, não há um único contraponto às suas afirmações. Ninguém o questiona e Sidnei Rocha só fala o que quer, pelo tempo que quer. A imprensa - mais especificamente, o jornal Comércio da Franca e a rádio Difusora - não foram os únicos alvos. Ontem, Sidnei Rocha novamente mirou seus canhões contra o governo estadual, contra o Judiciário e contra o Ministério Público, além da imprensa. Depois de bradar que está se levantando contra uma situação que Franca não pode mais aceitar, Rocha emendou dizendo que o governo do Estado, comandado pelo mesmo PSDB do qual faz parte, pouco fez pela cidade. “O Barradas (Luís Roberto Barradas, secretário estadual de saúde) merece severas críticas porque não fez nada pela saúde de Franca”, disse o prefeito. Sidnei Rocha, concedendo entrevista antes de conhecer a liminar da juíza Julieta de Souza, que ordenaria poucas horas mais tarde a retomada do atendimento integral a pacientes da região, disse que se o Judiciário decidisse pela continuidade do atendimento, ele obedeceria, mas, em sua opinião, era importante a população ficar sabendo do esforço que ele estava depreendendo contra “despejo” diário de centenas de doentes que as cidades da região promovem em Franca. “Quero que a população saiba que eu posso ser preso por defender os interesses da minha cidade”, dramatizou o prefeito. “Agora, é engraçado: gente que rouba a Justiça não manda prender. Tem ladrão solto e eu posso ser preso por querer economizar”, disse um irritado Sidnei Rocha. Ainda de acordo com ele, que foi poucas vezes interrompido, não bastassem juízes e promotores de Franca, “como esse moço de Igarapava”, referindo-se ao promotor Dílson Santiago, que entrou com o pedido de liminar, o Judiciário da região também estaria embuído de uma “cruzada” anti-Rocha. Para isso, citou exemplos de Poços de Caldas e Miguelópolis, onde juízes teriam determinado que Franca custeasse o tratamento de dois pacientes. O Comércio não conseguiu checar essa informação. Misturando assuntos de maneira às vezes desconexa, o prefeito disse que, “provavelmente”, parte do eleitorado ainda prefere a bagunça do passado, sem se referir diretamente a qualquer nome. As divagações de Rocha também voltaram-se contra os prefeitos que o antecederam, quando afirmou que os seus antecessores tinham “mania de grandeza” e muita “vaidade”, motivos pelos quais levaram Franca à condição de referência regional na saúde. Nunca é demais lembrar que a Gestão Plena de Saúde foi uma bandeira da administração do então prefeito Ary Balieiro, hoje vice de Rocha, aprovada em 1996, seu último ano de governo. A mistura de sintonia levou o chefe do Executivo de Franca a citar o pagamento da dívida de R$ 27 milhões, feito no final do ano passado, o que teria zerado o déficit da Prefeitura. Parou por aí, já que nunca foi satisfatoriamente explicado como, de que forma e de onde saíram os recursos para a quitação do débito. Em mais de uma ocasião, o Comércio pediu ao prefeito que explicasse onde foi feita tal economia e qual o valor atual da dívida. Ele sempre responde que não tem os números em mãos e se nega a detalhar a tal “economia”. Pouco antes de encerrar a entrevista, Sidnei Rocha disse que não foi eleito prefeito da região, por isso não é obrigado a administrar os problemas da região. “Goste a oposição ou não, goste a imprensa ou não, fui eleito prefeito de Franca”, sentenciou. “E como não sou bunda mole, vou continuar brigando pelos interesses da minha cidade”. Sobre os equipamentos e recursos que a cidade recebeu exatamente por ser referência regional, nenhuma palavra.

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