Arnon Gomes
da Redação
Quarenta e um missionários da Diocese de Franca retornaram na tarde da última segunda-feira depois de três semanas de viagem ao Piauí. O grupo composto por crianças, jovens e adultos foi até as cidades de Avelino Lopes e Morro Cabeça no Tempo, distante cerca de 700 quilômetros da capital Teresina, para ensinar dogmas do catolicismo. Lá, conviveram com comunidades que sofrem com seca, falta de energia elétrica e rede de esgoto, mas mantêm uma fé fervorosa.
O grupo saiu de Franca no último dia 7, às 5h30. Foram 36 horas de viagem por estradas de terra esburacadas até chegar a Avelino Lopes, por volta das 20h30. Metade dos fiéis ficou na cidade, enquanto a outra parte seguiu para Morro Cabeça no Tempo.
As atividades diárias estavam pré-definidas. Durante a manhã o grupo visitava as casas para as aulas de catolicismo. À tarde, os missionários se reuniam na única capela existente entre os dois municípios para participar das missas. As crianças de 10 a 12 anos tinham aulas de catecismo. Ao final da viagem, mais de 40 receberam a primeira comunhão. “Foi emocionante vê-los recebendo o sacramento, pois todos crêem em Deus, mas por dificuldades de acesso às informações, não conheciam nada sobre a religião”, disse a missionária Mileny Ferreira Santana, 21, responsável pela catequização de sete garotos.
SEM LIMITES
“O que eu vi foi um outro Brasil”, disse o aposentado Ademir Sebastião. Os missionários se hospedaram nas residências das comunidades visitadas a cada dia. Para ajudar na refeição, cada um dos participantes levou de Franca uma cesta básica.
Em ambas as cidades não há asfalto. A principal fonte de renda é o trabalho nas plantações de milho e feijão. “Na verdade, é uma forma de subsistência, pois as colheitas têm sido prejudicadas pela estiagem há dois meses”, destaca Diego Antonio.
Água encanada também não há. Por conta disso, diariamente as mulheres levantam às 5 horas para buscar água em uma cisterna, enquanto os maridos vão para a roça. “É uma disputa, quem chega primeiro consegue”. Diego disse ainda que, em dias cujas temperaturas superam 40 graus, as pessoas chegam a beber, no máximo, dois copos de água.
Até a vida do padre é diferente. Em Avelino e no Morro, é o pároco quem trabalha para sustentar a igreja. As doações dos fiéis são insuficientes para mantê-lo. Para se sustentar, leciona em uma escola de Curimatá, município vizinho de Avelino, segundo Mileny. A garota ressalta que o ensino também é precário. “Na única escola que há, uma professora dá aulas para 1ª e 2ª série juntas e, assim, as crianças têm dificuldades para aprender”.
Pela segunda vez participando do projeto, a estudante de Letras Teresa Cristina Fonseca Martins, 21, pretende voltar ao Piauí em janeiro do próximo ano. “Apesar de humilde, é um povo bastante receptivo”, diz. “Quando partíamos, chegavam a correr atrás do ônibus para se despedir de nós”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.