Leite é vilão de orçamento


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A principal preocupação de Josefina de Faria, avó de quatro netos, é o leite. Josefina cuida de três crianças e de um jovem. As meninas de 8 e 10 anos e os meninos de 3 e 17 consomem leite principalmente nos cafés-da-manhã. “Todo dia de manhã o leitinho tem que estar na mesa”, diz. Não raro, seu neto mais velho chega à noite e bebe um copo de leite antes de ir pra cama. “Dormir com o estômago vazio não é bom. Muitas vezes, ele chega, bebe um leite, come um pedaço de pão e se deita”. É de sua aposentadoria que ela retira os R$ 32,40 gastos nos 36 litros de leite que a família consome por mês. Cuidadosa, a aposentada pesquisa antes de comprar e sempre opta pelas marcas mais baratas. Caso as previsões dos produtores de que o litro de leite chegue a R$ 1,30 sejam confirmadas, nem mesmo a tática econômica de Josefina vai evitar o acréscimo de R$ 15 no orçamento apertado. Muito, para quem é segurada do INSS. A aposentada diz saber que o preço do leite no campo não é tão alto quanto nos supermercados. “Eu tenho um sobrinho que trabalha na roça. Ele vende muito barato”. Mesmo assim, a aposentada não tem como buscar o leite direto com o produtor. “Não dá pra comprar na roça”. Por isso, com ou sem aumento, a gente precisa comprar. As crianças sentem falta”.

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