O desaparecimento de um cão de suporte emocional dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, acendeu um novo alerta sobre as condições do transporte aéreo de animais no Brasil. O beagle Nacho, de 6 anos, ficou desaparecido por horas durante uma conexão internacional após ser transportado no porão de uma aeronave rumo à Alemanha.
O animal viajava com a tutora, a engenheira de produção Renata Mollossi Rambo, de 27 anos, que deixava o Brasil em direção a Frankfurt. A situação ganhou repercussão depois que o cachorro foi localizado apenas graças à ajuda de pessoas que circulavam pelo terminal e perceberam uma caixa de transporte aparentemente abandonada em uma área de restituição de bagagens. O reencontro ocorreu horas após o desembarque do voo vindo de Porto Alegre.
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Antes da viagem, Renata havia conseguido autorização judicial para levar Nacho na cabine da aeronave como animal de suporte emocional. A decisão, no entanto, foi revertida após a companhia aérea alegar que o transporte no compartimento de cargas seria seguro. Sem outra alternativa para seguir viagem, a tutora aceitou embarcar o cachorro no porão do avião no primeiro trecho da rota até São Paulo.
Ao chegar em Guarulhos, porém, ela percebeu que não havia qualquer informação sobre o paradeiro do animal. Segundo relatos apresentados posteriormente à Justiça, nem os atendentes presenciais nem os canais digitais da companhia conseguiram localizar o cachorro durante horas.
A demora aumentou o desespero da família, especialmente porque o cão já era utilizado como suporte emocional devido ao quadro de ansiedade e síndrome do pânico enfrentado pela tutora.
Após o desaparecimento, vídeos enviados por desconhecidos mostraram Nacho visivelmente abatido dentro da caixa de transporte. Segundo a tutora, o comportamento do cachorro era incomum, já que ele costumava ser sociável e receptivo. Diante das evidências do caso, a Justiça reconsiderou a decisão anterior e autorizou que o animal viajasse ao lado da dona na cabine no trecho seguinte até Frankfurt.
O advogado Leandro Petraglia, que acompanhou o caso, avaliou que o episódio escancarou falhas no controle e monitoramento de animais transportados em voos comerciais. Para ele, o desaparecimento do cachorro dentro do próprio aeroporto mostra a fragilidade dos protocolos adotados atualmente pelas companhias aéreas.
A situação também reacendeu discussões sobre a falta de regulamentações mais rígidas para garantir segurança e bem-estar aos pets durante viagens aéreas, principalmente em casos envolvendo animais de suporte emocional.