POLÍTICA

Flávio Paradella: Os estragos narrativos na vacinação

Chama atenção que nem mesmo uma epidemia desenfreada leva a população a buscar uma vacina disponível.

Por Flávio Paradella | 30/04/2024 | Tempo de leitura: 3 min
Especial para a Sampi Campinas

Divulgação/PMC

Vacinas estão disponíveis em todos os Centros de Saúde
Vacinas estão disponíveis em todos os Centros de Saúde

A briga foi enorme para trazer a vacina da dengue para Campinas e região. Embate entre prefeitos e o governo federal para que o imunizante pudesse ser enviado para as cidades de RMC, comprometidas pelos números assustadores da doença.

Campinas, por exemplo, já tem a sua pior epidemia e segue ampliando os casos com mais de 70 mil. 14 pessoas tiveram a vida interrompida pela infecção.

E mesmo assim, a procura é baixa pela vacina que chegou no dia 11 de abril em todos os Centros de Saúde. E chegou restrita, apenas para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, e em pouca quantidade, cerca de 18 mil.

A corrida esperada de pais, mães e responsáveis preocupados com a proliferação desenfreada da dengue não aconteceu. Sobram vacinas. Em três semanas, apenas 8,6 mil foram aplicadas.

O mesmo “fenômeno” é sentido na campanha contra outra doença. Impossível usar a palavra ‘avanço’ para a mobilização contra a gripe que começou há 5 semanas, voltada para grupos específicos (idosos, crianças, grávidas e puérperas) e somente 31% buscou a prevenção. A meta para uma proteção coletiva ideal é atingir 90%.

A situação preocupa a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), entidade ligada à Organização Mundial de Saúde, que clama para que os países se empenhem para recuperar a cobertura da vacinação de rotina.

Isso se deve a vários fatores, incluindo uma falsa percepção de que as doenças eliminadas e controladas não representam mais um risco para a saúde das pessoas; uma redução na priorização dos programas de vacinação; e o aumento da desinformação desde a pandemia da COVID-19, entre outros fatores.

Chama atenção que nem mesmo uma epidemia desenfreada leva a população a buscar uma vacina disponível. E o último item elencado pela OPAS, a desinformação fez um enorme estrago naquele que era o nosso perfil: “pró-vacina”.

É triste verificar que mesmo as pessoas moderadas, hoje estão receosas pelas “informações” que chegam por redes sociais e grupos de Whatsapp. Absurdo que ainda existem aqueles que queiram influenciar a busca por remédios milagrosos, e, em 2024, ainda indiquem o uso de Ivermectina para quadros gripais. Ironicamente, o fármaco é utilizado contra parasitas.

Cabe aos nossos governantes, e o recado é direcionado aos mais conservadores, mudar radicalmente a comunicação e passar a efetivamente a vacinação, pois no fim das contas o estrago será de vidas perdidas e ‘sequelados’ que vão precisar do já enormemente pressionado sistema de saúde. Problema de atendimento. Problema econômico, afinal atender tem custo. Precisamos efetivar literalmente um velho ditado: melhor prevenir do que remediar.

Calmaria

Após uma sequência de sessões longas, tensas e tumultuadas, a Câmara de Campinas conseguiu engatar duas reuniões consecutivas com temas e climas brandos.

Os dois últimos encontros foram realizados em cerca de duas horas, com a aprovação dos itens da pauta.

Nem lembrou do legislativo que discutiu invasão de terra, Festa da Bicuda, comissão processante e hora-extra de servidor.

E a maré tranquila deve permanecer, ao menos até semana que vem, pois não teremos reunião ordinária nesta quarta, por causa do feriado do Dia do Trabalhador.

Dia do Trabalhador

No feriado de 1º de maio, em celebração ao Dia do Trabalhador, Campinas terá uma programação organizada pelas centrais sindicais.

A concentração está marcada para às 8h no Largo do Pará, seguida por uma caminhada em direção à Catedral Metropolitana às 8h30. Às 9h, na Catedral, será realizada uma Missa em homenagem à classe trabalhadora.

As pautas dentro do escopo da extrema-esquerda como a revogação da Reforma Trabalhista e da Previdência, o fim do Arcabouço Fiscal, a demarcação das Terras Indígenas e Quilombolas, a Reforma Agrária e a Paz na Palestina.

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Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada na Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br

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