A prisão do secretário de Governo da Prefeitura de Bauru, Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim, nesta sexta-feira (16) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público (MP), é mais uma etapa da Operação Cavalo de Troia, que apura esquema de fraude na licitação para concessão dos serviços de lixo, já cancelada.
A Operação Cavalo de Troia teve início em 9 de setembro e investiga um esquema de fraude, corrupção e organização criminosa na licitação da concessão do lixo em Bauru. A licitação sob investigação visava a gestão de resíduos sólidos por um período de 30 anos e envolvia cifras estimadas em R$ 5,2 bilhões, consolidando-se como a maior contratação pública projetada na história do município. Segundo o Ministério Público, as ações coordenadas do grupo visavam direcionar o resultado do edital para beneficiar a empresa Estre Ambiental.
As investigações apontaram que a estratégia criminosa consistia em infiltrar e interferir diretamente na fase preparatória da concessão. Para viabilizar o plano, integrantes do grupo ocuparam cargos públicos estratégicos dentro da administração municipal.
Entre as principais manobras identificadas pela promotoria esteve a contratação intencional da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), usada de forma articulada pelo núcleo para moldar as diretrizes técnicas do edital de modo a sufocar a competitividade entre as empresas concorrentes.
Durante a deflagração da operação, a polícia e o Gaeco cumpriram inúmeros mandados de busca e apreensão. Sete pessoas foram presas preventivamente por participação no esquema: os ex-secretários municipais Cilene Bordezan, Vitor Costa e Sara Moura; o CEO da Estre Hamilton Agle; além de Talita Chieregatti (da Estre), Gisele Moretti e Valdomiro Silva Filho, estes dois últimos da Ascam e já fora da prisão. Está foragido o consultor da Fipe Mário Silvério. A prefeitura exonerou os secretários envolvidos logo após o início do escândalo.
Os desdobramentos jurídicos avançaram rapidamente após as prisões. O Ministério Público formalizou a denúncia contra o grupo e a Justiça aceitou as acusações, tornando réus os envolvidos no esquema. Com o avanço das apurações criminais, o processo licitatório bilionário acabou sendo temporariamente suspenso por determinação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) para evitar prejuízos aos cofres públicos.
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