VIAS DETERIORADAS

Buracos disparam 500% em Bauru e pressionam prefeitura; VÍDEO

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Guilherme Lima
Trecho de rua em Bauru recebe reparo com aplicação de asfalto após surgimento de buraco. Prefeitura tenta ampliar equipes para acelerar a recuperação das vias.
Trecho de rua em Bauru recebe reparo com aplicação de asfalto após surgimento de buraco. Prefeitura tenta ampliar equipes para acelerar a recuperação das vias.

Enquanto motoristas enfrentam dificuldades para trafegar por conta do número cada vez maior de buracos nas ruas da cidade e os reparos não acompanham a velocidade do surgimento dos problemas, a Prefeitura de Bauru informa que tenta ampliar as equipes e contratar novos serviços para recuperar as vias. Segundo estimativa do diretor de Obras Públicas da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Etelvino Zacarias, o número de buracos nas ruas de Bauru aumentou aproximadamente 500% desde julho. A situação é resultado de uma combinação de chuvas atípicas, pavimentação antiga e intervenções nas redes de água, esgoto e drenagem.

O cenário se agravou nos últimos meses, período em que Bauru registrou volumes de chuva muito superiores às médias históricas. Segundo dados do Centro de Meteorologia da Unesp (IPMet), em julho foram acumulados 122,4 milímetros, aproximadamente 322,1% acima da média climatológica para o mês, de 38 milímetros. Em agosto, apesar da redução das precipitações, o volume chegou a 42,9 milímetros, o maior para o mês desde 2020, quando foram registrados 69,9 milímetros. Já setembro entrou para a série histórica: foram 265,4 milímetros, o maior acumulado para o mês nos últimos 26 anos e mais de seis vezes o registrado em agosto.

A situação também foi agravada em outubro. De acordo com a Prefeitura, foram 192,8 milímetros de chuva, o maior volume para o mês desde 2011. Entre julho e outubro, Bauru acumulou 623,5 milímetros.

AUMENTO DE 500%

Para Etelvino Zacarias, não existe uma única causa para a multiplicação dos buracos. Além do desgaste natural do pavimento, a cidade enfrenta problemas provocados por intervenções nas redes subterrâneas, cada uma sob responsabilidade de um órgão ou empresa diferente (Prefeitura, Departamento de Água e Esgoto (DAE) ou CSB. "Existem várias situações. Há o desgaste natural do pavimento, que são aquelas panelinhas que aparecem nas ruas e que conseguimos consertar mais rapidamente, porque não há necessidade de esperar a chuva parar completamente. Mesmo com garoa, conseguimos fazer esse serviço", explica.

O diretor ressalta que a responsabilidade pelos reparos depende da origem do problema. Os buracos decorrentes do desgaste do asfalto ficam a cargo da Secretaria Municipal de Infraestrutura. Já aqueles provocados por intervenções na rede de esgoto são de responsabilidade da concessionária CSB, enquanto os relacionados à rede de abastecimento de água ainda cabem ao DAE.

A chuva, entretanto, é um dos principais obstáculos para a execução dos serviços, especialmente nos locais onde houve escavações para intervenções subterrâneas. Nesses casos, a prefeitura precisa aguardar a secagem do solo antes de aplicar uma nova camada de asfalto. "Para colocar a capa asfáltica, é necessário que o subsolo esteja seco. Caso contrário, o solo úmido cria o chamado borrachudo e, depois que o asfalto é aplicado, ele acaba trincando por inteiro", afirma Zacarias.

Segundo o diretor, o volume de ocorrências relacionadas aos buracos, entupimentos da rede de esgoto e danos ao sistema de drenagem aumentou aproximadamente 500%.

ASFALTO COM ATÉ 50 ANOS

Outro fator que pesa na deterioração das ruas é a idade da pavimentação. Em diferentes regiões de Bauru, há trechos com mais de quatro décadas de utilização, período muito superior à vida útil estimada para esse tipo de revestimento, que é de aproximadamente dez anos. A condição das galerias pluviais também interfere na conservação das vias. De acordo com Zacarias, o entupimento das bocas de lobo prejudica o escoamento da água da chuva, que permanece sobre o pavimento e contribui para acelerar seu desgaste.

Nesse sentido, o diretor fez um apelo aos moradores para que evitem deixar lixo e restos de materiais de construção nas calçadas, já que esses resíduos podem ser levados pela água até as bocas de lobo, provocando entupimento. "Quero fazer um apelo para que não coloquem materiais de construção e lixo nas calçadas, porque isso acaba chegando às bocas de lobo e provocando entupimentos", afirma.

Ele reconhece, porém, que as equipes municipais não conseguem atender a todos os pontos com a rapidez necessária. Segundo o diretor, a limpeza das estruturas é realizada rotineiramente, mas a quantidade de locais que demandam manutenção dificulta o atendimento integral.

GOVERNO PROMETE REFORÇAR EQUIPES

Atualmente, a Prefeitura de Bauru conta com cinco equipes de tapa-buracos e mantém os trabalhos de recuperação do pavimento em diferentes regiões. A administração também contratou uma empresa terceirizada e pretende ampliar a estrutura de atendimento. O DAE possui 4 equipes que estão trabalhando nos buracos abertos pela autarquia.

Segundo Zacarias, estão sendo convocados mais dez ajudantes gerais aprovados em concurso público para reforçar a Secretaria de Infraestrutura. Além disso, o município pretende abrir uma nova licitação para contratar outra empresa especializada em tapa-buracos.

A estimativa é de que aproximadamente 300 buracos sejam reparados diariamente. São priorizadas as vias de maior circulação e locais que necessitam de intervenções mais urgentes.

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