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Pesquisas de Botucatu serão levadas para congresso internacional

Por | da Redação
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Professora Karen Ingrid Tasca; doutoranda Pietra Vivian Stanicki; e professor Alexandre Naime Barbosa
Professora Karen Ingrid Tasca; doutoranda Pietra Vivian Stanicki; e professor Alexandre Naime Barbosa

Botucatu - Três pesquisas desenvolvidas no Serviço de Ambulatórios Especializados de Infectologia “Domingos Alves Meira” (SAEI-DAM), unidade própria da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), foram selecionadas para apresentação no HIV Drug Therapy Glasgow 2026, um dos principais congressos internacionais dedicados à pesquisa e ao tratamento do HIV. O evento será realizado de 8 a 11 de novembro, em Glasgow, no Reino Unido.

Os trabalhos são assinados por pesquisadores vinculados à Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp) - a doutoranda Pietra Vivian Stanicki, do Programa de Pós-graduação em Doenças Tropicais; a professora Karen Ingrid Tasca; e o professor Alexandre Naime Barbosa, médico infectologista, chefe do Departamento de Infectologia da FMB e diretor clínico do SAEI-DAM.

Os três estudos partem de questões presentes na rotina de acompanhamento de pessoas vivendo com HIV e olham para aspectos que podem interferir no tratamento ao longo dos anos.

“Ver esses três trabalhos selecionados para Glasgow é motivo de um orgulho enorme. É a ciência produzida no SAEI-DAM, a partir da nossa realidade em Botucatu e região e das pessoas que acompanhamos todos os dias, ganhando espaço em um dos principais congressos internacionais de HIV. Como infectologista e orientador dessas pesquisas, é muito significativo perceber que dados brasileiros produzidos em uma unidade da Famesp podem contribuir para aprimorar o cuidado de pessoas vivendo com HIV”, afirma Alexandre Naime Barbosa.

Para Naime, a produção científica está diretamente ligada à experiência acumulada no atendimento. “O SAEI-DAM é um serviço construído pelo trabalho integrado de uma equipe multiprofissional e multidisciplinar. Essa proximidade entre diferentes áreas e a assistência cotidiana nos permite enxergar nuances clínicas e sociais que muitas vezes não aparecem nos estudos tradicionais. É da vida real que surgem algumas das perguntas científicas mais importantes”, observa.

O professor também destaca outro resultado desse processo: a formação de novos pesquisadores. “Assistência de excelência também precisa produzir ciência. E tão importante quanto levar nossos resultados para o mundo é formar novos pesquisadores. Ver nossos alunos da pós-graduação ocupando esse espaço, com rigor científico, sensibilidade social e vontade de transformar o cuidado, mostra que estamos construindo não apenas bons estudos, mas também uma nova geração de cientistas”, destaca.

Sobre os estudos

Um dos trabalhos aborda a viremia residual, quando pequenas quantidades do vírus ainda podem ser detectadas no sangue de pessoas que fazem uso dos tratamentos antirretrovirais atuais. O estudo discute por que o acompanhamento da carga viral continua sendo importante mesmo quando o tratamento está funcionando e contribui para entender seus resultados ao longo do tempo.

Outra pesquisa investiga a relação entre vulnerabilidade social e a permanência de carga viral detectável. Nesse caso, o olhar vai além dos medicamentos e considera aspectos como condições sociais, acesso aos serviços de saúde, vínculo com a equipe e possibilidades de manter o acompanhamento e o tratamento de forma contínua.

O terceiro estudo é voltado às mulheres vivendo com HIV e analisa diferenças relacionadas à idade no controle da carga viral. O trabalho chama atenção para a importância de produzir conhecimento específico sobre a saúde das mulheres e compreender como diferentes fatores podem interferir nos resultados do tratamento em cada fase da vida.

Embora tratem de questões diferentes, os três trabalhos fazem parte de uma mesma linha de pesquisa. Em comum, procuram compreender o tratamento do HIV a partir da realidade das pessoas acompanhadas pelo serviço, considerando aspectos clínicos, envelhecimento, gênero e vulnerabilidade social.

Pesquisa que nasce da assistência

A participação no HIV Glasgow 2026 também dá sequência à presença desse trabalho em importantes espaços internacionais de discussão sobre HIV.

Neste ano, uma pesquisa conduzida por Pietra Vivian Stanicki foi selecionada para apresentação na 26ª International AIDS Conference (AIDS 2026). O trabalho, desenvolvido durante seu mestrado, analisou a trajetória do tratamento de pessoas vivendo com HIV acompanhadas em um centro de referência brasileiro.

Agora, os três estudos que serão apresentados em Glasgow fazem parte dos resultados parciais de seu doutorado. A continuidade permite acompanhar também o amadurecimento de uma linha de pesquisa construída em estreita relação com a assistência prestada no SAEI-DAM.

A ligação entre pesquisa e assistência também aparece na trajetória de Pietra. “As perguntas que orientam nossos estudos nascem de situações e desafios do cuidado cotidiano. Para mim, essa proximidade entre pesquisa e assistência é fundamental, porque dá sentido ao que fazemos e nos faz pensar em como o conhecimento produzido pode contribuir para o cuidado das pessoas vivendo com HIV”, afirma.

A doutoranda também destaca o papel do Programa de Pós-graduação em Doenças Tropicais da FMB/Unesp em sua formação. Segundo Pietra, a qualidade da formação, a orientação dos professores e as oportunidades de troca e aprendizado deram a base necessária para transformar questões surgidas no serviço em estudos conduzidos com rigor científico e olhar crítico.

A participação em Glasgow representa ainda uma oportunidade de ampliar essa formação por meio do contato com pesquisadores de outros países. “Estou muito feliz com a possibilidade de discutir nossos resultados, ouvir suas contribuições e conhecer como questões semelhantes são vividas em outros contextos. Essa troca pode trazer novas perspectivas para os estudos e para as perguntas que queremos investigar no doutorado”, completa Pietra.

O HIV Drug Therapy Glasgow reúne pesquisadores e profissionais de diferentes países para discutir temas como tratamento antirretroviral, envelhecimento, outras doenças associadas ao HIV, resistência aos medicamentos, prevenção e organização da assistência. Os dados, resultados e conclusões dos três trabalhos serão divulgados posteriormente, após a liberação oficial dos resumos pelo congresso.

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