A direção da Faculdade de Medicina de Bauru da Universidade de São Paulo (FMBRU-USP) divulgou nota à comunidade acadêmica e à população para prestar esclarecimentos sobre o atual momento da unidade e reafirmar o compromisso com a consolidação da faculdade. A manifestação ocorre após recentes mobilizações de estudantes de Medicina, que apresentaram uma pauta de reivindicações relacionada à qualidade da formação, aos direitos discentes e à participação estudantil nas decisões da instituição.
Assinada pelo diretor da FMBRU-USP, José Sebastião dos Santos, a nota defende que a construção da faculdade ocorre de forma coletiva e destaca a existência de mecanismos institucionais de participação dos estudantes na estrutura administrativa e acadêmica.
Segundo o diretor, os alunos possuem representação em todas as comissões da faculdade, além de assento nos Conselhos de Departamento e na Congregação, considerada o órgão máximo deliberativo da unidade. As reuniões da Congregação, afirma a direção, são transmitidas em tempo real pela plataforma YouTube.
A direção também cita a criação recente da Comissão de Coordenação do Curso (CoC), apresentada como um espaço destinado à interlocução direta entre os estudantes e a administração da faculdade. "As portas da gestão permanecem abertas, mas o acesso se dá por meio dos mecanismos institucionais", afirma José Sebastião dos Santos na nota.
Resultados
A direção também apresenta um balanço dos primeiros 30 meses de funcionamento da FMBRU-USP. Entre os resultados citados está a aprovação recente pelo Conselho Estadual de Saúde, com nota máxima, segundo a administração. O documento também menciona a obtenção da nota máxima no ENAMED e a renovação do reconhecimento do curso de Medicina por mais cinco anos, igualmente com a maior avaliação, de acordo com a direção.
A nota ainda destaca a elevação das notas atribuídas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aos programas de pós-graduação stricto sensu da unidade, que abrangem mestrado e doutorado.
Outro ponto destacado é a implantação de 15 programas de residência médica. Para a direção, a expansão contribui para a formação de especialistas e amplia a atuação da faculdade junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). O diretor também cita o apoio ao desenvolvimento do Hospital das Clínicas de Bauru (HC-Bauru), com a ampliação das atividades de atendimento à população.
Formação médica
A manifestação dedica parte específica à discussão sobre a formação dos estudantes de Medicina. Sem mencionar nominalmente declarações ou pessoas, a direção afirma que são necessários esclarecimentos diante de manifestações recentes sobre o tema.
José Sebastião dos Santos sustenta que a formação médica não se encerra com a conclusão da graduação. Segundo ele, a crescente complexidade da medicina e a preocupação com a segurança dos pacientes justificam a continuidade da capacitação profissional.
A direção afirma que, ao defender a realização da residência médica, não pretende desvalorizar a graduação, mas destacar a possibilidade de continuidade da formação oferecida pela própria USP. "A USP se orgulha de oferecer essa qualificação e capacitação de excelência para os egressos de Medicina", afirma o diretor.
A nota apresenta a residência médica, o mestrado e o doutorado como etapas de aperfeiçoamento profissional e acadêmico posteriores à graduação.
Participação estudantil
A questão da participação dos alunos aparece como um dos principais pontos da manifestação da direção. A administração afirma que a interlocução com os estudantes é "contínua e institucionalizada" e não ocorre apenas de maneira eventual.
A direção cita especificamente a presença dos alunos nos colegiados e comissões e a criação da CoC como instrumento de aproximação entre estudantes e gestão.
A manifestação, porém, ocorre em um momento em que alunos da FMBRU-USP vêm reivindicando mudanças na relação com a administração da faculdade. Em mobilização realizada em 21 de setembro, estudantes dos seis anos do curso apresentaram uma pauta unificada envolvendo, entre outros pontos, melhoria do diálogo com a instituição, participação estudantil e questões relacionadas à estrutura e à formação acadêmica.
A direção, em sua nota, não detalha as reivindicações apresentadas pelos estudantes nem responde individualmente aos pontos da pauta. Concentra-se em apresentar os mecanismos institucionais existentes e os resultados obtidos pela faculdade desde sua criação.
"Construção coletiva"
Ao defender o modelo de gestão, José Sebastião dos Santos também afirma que a consolidação da FMBRU-USP depende da articulação entre a universidade e os serviços municipais e estaduais de saúde.
O diretor ressalta sua experiência como docente e gestor acadêmico e do sistema de saúde e afirma ter assumido a direção com a responsabilidade de estruturar as bases institucionais de uma unidade ainda recente da USP.
Com apenas dois anos e meio de existência, segundo a própria direção, a FMBRU-USP ainda está em processo de consolidação de sua estrutura acadêmica, administrativa e assistencial.
A nota encerra reafirmando que a faculdade pretende manter como objetivos o ensino, a pesquisa, a extensão e a inovação, além da atuação na área de assistência médica e no desenvolvimento de políticas públicas de saúde.
José Sebastião dos Santos afirma que a instituição continuará trabalhando com "transparência, serenidade e responsabilidade" e pede compreensão à sociedade diante da interrupção momentânea das atividades dos estudantes em razão das mobilizações.
"Peço desculpas à sociedade que nos mantém, se por um breve momento, os estudantes de graduação da FMBRU-USP estão deixando de se preparar para manter essas conquistas obtidas, inclusive, com o empenho deles mesmos", afirma o diretor no encerramento da manifestação.