SAÚDE E BELEZA

Microplásticos: o que se sabe sobre o efeito deles na pele


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Já sabemos que a poluição das grandes cidades pode afastar nossa pele, sobretudo quando a gente não faz uma higiene adequada e derrapa no uso de vitamina C e protetor solar. Mas e os microplásticos, hein? Esse é mais um tipo de poluição que merece nosso cuidado. Na coluna de hoje, eu explico o que é e como você precisa agir preventivamente.

O que são os microplásticos?

Os microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 milímetros de diâmetro, que podem ser produzidos de forma intencional, como as antigas microesferas usadas em cosméticos, ou surgir da fragmentação de objetos plásticos maiores, como embalagens, roupas sintéticas, pneus e redes de pesca.

Com o tempo, esses materiais se degradam em partículas cada vez menores, incluindo os nanoplásticos, que têm dimensões inferiores a 1 micrômetro e apresentam maior potencial de interação com os tecidos humanos.

Sabemos que essas partículas já foram encontradas na água potável, nos oceanos, no ar, em alimentos como peixes e frutos do mar, no sal, no mel e até em frutas e vegetais. A exposição humana ocorre, sobretudo, por ingestão, inalação e por contato com a pele - mas, nesse último caso, em menor grau.

Por que os microplásticos são prejudiciais à nossa saúde?

A preocupação com seus efeitos na saúde tem a ver com o fato de que essas partículas podem desencadear estresse oxidativo, inflamação e alterações na resposta imunológica. Além disso, elas podem atuar como veículos para substâncias tóxicas, como metais pesados, pesticidas e compostos químicos presentes nos próprios plásticos.

Mesmo que a presença de microplásticos no organismo humano já esteja bem documentada, a ciência ainda busca compreender quais são os impactos clínicos da exposição crônica. Até o momento, as evidências mais consistentes vêm de estudos em laboratório e em modelos animais, que demonstram mecanismos biológicos plausíveis de dano celular.

Em humanos, ainda não há consenso sobre a quantidade de exposição necessária para causar doenças específicas, mas a comunidade científica considera que a redução da exposição é importante, sobretudo diante do aumento contínuo da contaminação ambiental.

E quanto aos possíveis efeitos dos microplásticos na pele?

Podemos citar os seguintes:

Aumento do estresse oxidativo, o que favorece o envelhecimento precoce da pele.

Estímulo à inflamação cutânea, com maior produção de citocinas inflamatórias.

Comprometimento da barreira cutânea, fato que abre caminho para mais ressecamento e aumento da sensibilidade.

Potencial agravamento de doenças inflamatórias, como dermatite atópica, rosácea, acne e psoríase, embora essa associação ainda necessite de mais estudos clínicos.

Possível redução da atividade de fibroblastos e da produção de colágeno, podendo interferir no processo de reparação da pele (evidência ainda limitada).

Além disso, os nanoplásticos, por serem menores, podem penetrar mais facilmente em áreas onde a barreira cutânea está comprometida, aumentando sua interação com as células da pele em modelos experimentais.

Como consumir menos micropláticos?

A questão dos microplásticos envolve uma mudança de hábitos, que pede que você:

Prefira recipientes de vidro ou aço inox para armazenar alimentos e bebidas, ainda mais se estiver quente.

Evite aquecer alimentos em embalagens plásticas, principalmente no micro-ondas.

Reduza o consumo de alimentos ultraprocessados e embalados em plástico sempre que possível, dando preferência a alimentos frescos.

Utilize garrafas reutilizáveis de vidro ou inox em vez de garrafas plásticas descartáveis.

Dê preferência a roupas de fibras naturais, como algodão, linho e lã. Tecidos sintéticos, como poliéster e nylon, liberam microfibras plásticas durante a lavagem.

Lave roupas sintéticas com menos frequência e em ciclos mais curtos e, se possível, utilize filtros ou sacos coletores de microfibras na máquina de lavar.

Mantenha os ambientes bem ventilados e limpos, pois microplásticos também podem estar presentes na poeira doméstica.

Escolha cosméticos sem microesferas plásticas e, sempre que possível, opte por produtos de marcas comprometidas com formulações mais sustentáveis. Seu dermatologista pode ajudar aqui.

Sempre que disponível, prefira água filtrada, já que alguns sistemas de filtração são capazes de reduzir parte das partículas presentes na água.

Ficou na dúvida se seus cosméticos são adequados? Marque logo com seu dermatologista!

Um forte abraço e até o próximo final de semana!

Daniela Hueb - Médica, CRM-SP 96.027

 

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