ORGANIZER

O lugar de cada coisa e de cada fase da vida


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Existe algo quase afetivo em devolver cada coisa ao seu lugar.

Talvez porque, quando encontramos um lugar para aquilo que faz parte da nossa vida, também encontramos um pouco mais de clareza sobre nós mesmos.

Mas será que o lugar de cada coisa precisa ser para sempre?

A vida muda. Nós mudamos. Nossas necessidades, nossos hábitos e até aquilo que desejamos ter por perto se transformam. E, naturalmente, os espaços também deveriam acompanhar essas mudanças.

Uma gaveta que antes guardava brinquedos pode, alguns anos depois, receber documentos. O quarto que foi cenário de brincadeiras pode se transformar em escritório. Aquele armário pensado para uma rotina que já não existe talvez precise ser redesenhado para a vida que existe hoje. E, dentro dessa nova configuração, até a altura importa: o chamado "lugar de ouro" é justamente aquele que está na direção dos nossos olhos e à altura das nossas mãos, o espaço mais nobre para aquilo que usamos com maior frequência.

Por isso, organização não é criar lugares definitivos. É criar lugares que façam sentido.

Quando organizo um espaço, procuro entender não apenas o que a pessoa possui, mas como ela vive. O que usa diariamente deve estar ao alcance das mãos. O que é eventual pode ocupar espaços menos acessíveis. Aquilo que tem valor afetivo merece ser preservado, mas também precisa encontrar um lugar que respeite sua importância sem impedir o funcionamento da casa.

Há também algo bonito no ato de mudar as coisas de lugar: ele nos permite reconhecer que estamos em outra fase.

Nem tudo precisa permanecer exatamente como foi.

Algumas coisas nos acompanham por toda a vida. Outras pertencem a determinados capítulos e, quando chega a hora, podem seguir outro caminho. Não significa apagar o passado. Significa reconhecer que a vida continua escrevendo novas páginas.

Talvez seja por isso que organizar seja também um exercício de presença.

Olhar para aquilo que temos, perceber aquilo que usamos, reconhecer aquilo que amamos e compreender aquilo que já não representa quem somos.

No fim, cada objeto ocupa um pequeno espaço físico. Mas aquilo que escolhemos manter pode ocupar um espaço muito maior dentro de nós.

Que saibamos, então, dar a cada coisa o seu lugar, e a cada fase da vida, o espaço necessário para florescer.

Abençoada semana!

 

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