Há pelo menos seis anos, moradores do Residencial Village Campo Novo, no Jardim Marabá, em Bauru, convivem com uma erosão que cresce de forma silenciosa, mas constante. O que começou dentro da Área de Preservação Permanente (APP) ultrapassou seus limites, avançou sobre a área verde do condomínio e hoje já se aproxima da primeira rua asfaltada e das residências, aumentando a preocupação de cerca de 300 pessoas que vivem no local.
Segundo relatos dos moradores, a situação passou a se agravar de forma mais evidente há cerca de três anos. Desde então, a cada período de chuvas, a erosão avança mais alguns metros, consumindo vegetação, comprometendo a infraestrutura e ampliando os riscos de acidentes. O cenário preocupa principalmente porque a cratera, que já alcança aproximadamente cinco metros de profundidade em alguns pontos, chegou a áreas onde antes havia circulação segura de moradores, inclusive de crianças. O receio é de que, caso nenhuma intervenção seja realizada antes do próximo período chuvoso, o processo erosivo atinja a via pública e as residências.
Além do risco à segurança, os impactos ambientais também são evidentes. Diversas árvores já foram perdidas e a erosão compromete uma área de preservação que abriga nascentes, levantando preocupações quanto à degradação da flora, da fauna e do ecossistema local. A infraestrutura também sofre consequências. A força da erosão comprometeu uma galeria de drenagem do condomínio. Já na área externa, a terra carregada pelas chuvas desce pelas ruas de terra do entorno, acumula-se nas galerias pluviais e segue em direção ao córrego localizado na APP. Os moradores afirmam ainda que a falta de manutenção de terrenos particulares, com mato alto e ausência de limpeza, agrava o problema ao dificultar o escoamento adequado das águas.
Apesar da gravidade da situação, os moradores afirmam que a Prefeitura já tem conhecimento do caso. A Secretaria Municipal de Obras realizou vistoria técnica, um processo administrativo foi aberto, toda a documentação solicitada foi apresentada e, segundo informações recebidas pelos próprios moradores, o projeto para recuperação da erosão já foi aprovado há aproximadamente um ano. Entretanto, até o momento, a obra não saiu do papel.
A comunidade relata que a execução vem sendo sucessivamente adiada em razão da priorização de outras intervenções, enquanto a erosão continua avançando. "Chegamos ao limite", resume o sentimento dos moradores, que temem que a demora aumente ainda mais o custo da obra e, principalmente, coloque vidas em risco. Os moradores fazem questão de reconhecer o atendimento prestado pelos técnicos da Secretaria de Obras, destacando que os servidores têm acompanhado a situação sempre que acionados. No entanto, entendem que a solução depende de decisão administrativa para que a obra finalmente seja executada.
Além da contenção definitiva da erosão, a população também reivindica melhorias na infraestrutura do entorno. Entre os pedidos estão o recapeamento da rua Luiz Levorato, especialmente no trecho em frente à Unip, que apresenta condições precárias de tráfego, e uma fiscalização mais rigorosa sobre os proprietários de terrenos que permanecem sem limpeza, contribuindo para o agravamento dos problemas de drenagem.
Para os moradores, ainda há tempo de evitar consequências mais graves. No entanto, o sentimento é de que a janela para agir está se fechando rapidamente. O apelo é direto: antes que a erosão alcance as casas, provoque o desalojamento de famílias ou resulte em um grave acidente envolvendo crianças, é necessário que a obra, já aprovada, finalmente seja executada. Afinal, quando o problema deixa de ser apenas ambiental e passa a ameaçar vidas, a prevenção deixa de ser uma opção e passa a ser uma obrigação do poder público.
PREFEITURA
A seguir, a nota enviada pelo governo municipal: "A Prefeitura de Bauru, por meio da Secretaria de Infraestrutura, informa que já fez uma vistoria na erosão, e as obras de contenção serão incluídas na programação das equipes da pasta. A Secretaria de Infraestrutura está monitorando este ponto."