ELEIÇÃO 2026

Direita volta a liderar ideologia no Brasil, com reflexo na RMJ

Por Diná de Melo | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 4 min
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A identificação dos brasileiros com a direita voltou a superar a da esquerda
A identificação dos brasileiros com a direita voltou a superar a da esquerda

Uma pesquisa do Datafolha, realizada no início do mês de julho, trouxe um dado que não se via desde 2014: a identificação dos brasileiros com a direita voltou a superar a da esquerda. Segundo o levantamento, 44% dos brasileiros com 16 anos ou mais se declararam de direita ou centro-direita, contra 39% de esquerda ou centro-esquerda — diferença de cinco pontos, acima da margem de erro de dois pontos.

Outros 17% ficaram no centro. Em 2022, o cenário era o oposto: a esquerda somava 49%, e a direita, 34%. O levantamento, registrado no TSE sob o número BR09956/2026, foi feito nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores ouvidos em 139 municípios. A principal mudança em relação a 2022 ocorreu no eixo comportamental: a direita passou de 39% para 52%, e a esquerda recuou de 42% para 29%. Temas como segurança pública e percepção sobre pobreza puxaram a virada.

Repercussão regional

Para o vereador de Jundiaí Cristiano Lopes (PP), pré-candidato a deputado federal, a eleição presidencial tende a intensificar a identificação ideológica, mas nas disputas municipais o eleitor “costuma priorizar a capacidade de gestão e os resultados”.

Segundo ele, “o cenário nacional tende a levar parte do eleitorado da região a buscar candidaturas que representem um contraponto ao projeto da esquerda”. Lopes atribui o avanço da direita ao desgaste de quem governou o país por grande parte das últimas duas décadas, a problemas estruturais em saúde, educação e mobilidade, e à perda do poder de compra das famílias.

Para 2026, aposta em emprego, renda e empreendedorismo, além da revisão do pacto federativo e do debate sobre a maioridade penal. João Paulo Souza (PL), vice-prefeito de Várzea Paulista e pré-candidato a deputado estadual, também vê reflexo da tendência nacional na RMJ. “A Região Metropolitana de Jundiaí tem demonstrado uma valorização crescente de pautas ligadas à responsabilidade fiscal, eficiência da gestão pública, segurança e liberdade econômica”, afirma.

Para ele, “as pessoas estão buscando menos discurso e mais resultado”, e o crescimento da direita passa pela busca por gestão eficiente: serviços funcionando, oportunidade de trabalho e responsabilidade com o dinheiro público. Souza acredita que saúde, segurança, emprego, mobilidade e educação serão decisivos em 2026, mas pondera que ainda é cedo para saber se a mudança será duradoura.

“As pessoas estão cansadas de ligar a tv, abrir um jornal ou receber em seus celulares, notícias que envergonham, que castigam as pessoas, principalmente as mais vulneráveis, que não tem dinheiro para comprar o básico, enquanto outros, envolvidos em escândalos, continuam no poder. O resultado é visto na pesquisa”, comenta o pré-candidato a deputado estadual pelo PL, Luiz Fernando Machado.

Para o vereador e pré-candidato a deputado estadual, Leandro Basson (Podemos), “o crescimento da identificação com a direita demonstra que cada vez mais brasileiros buscam o resgate de valores como família, segurança, responsabilidade e liberdade.”

A primeira-dama de Jundiaí, Ellen Martinelli (União Brasil), pré-candidata a deputada federal, reforça que o perfil da região favorece o discurso de direita. “Jundiaí e os municípios vizinhos possuem um perfil historicamente ligado ao trabalho, ao empreendedorismo, à forte atividade industrial e aos valores de preservação da família e da ordem”, diz.

Segundo ela, a busca por liberdade econômica, segurança com firmeza e tecnologia, e o respeito aos valores familiares explicam o avanço. Martinelli defende a saúde regionalizada como tema central da campanha, com descentralização do atendimento entre os municípios da RMJ e mobilidade intermunicipal integrada. Para ela, a tendência não é passageira, mas só se consolida com resultados reais.

Já o vereador Faouaz Taha (PSD), pré-candidato a deputado estadual, pondera que a polarização segue presente no país, mas destaca que Jundiaí “sempre teve uma tradição mais à direita”, refletida nos resultados das últimas eleições gerais. Para ele, o caminho não é o radicalismo, mas o equilíbrio e a soma de forças para avançar em segurança, infraestrutura, emprego e saúde. Taha também chama atenção para o excesso de informação segmentada — “cada um na sua bolha”, diz — e defende que é preciso romper essa lógica para compreender as reais necessidades da população.

Para o presidente da Câmara de Jundiaí, Edicarlos Vieira (UNIÃO), o eleitor está cobrando eficiência. “As pessoas querem soluções para os desafios do dia a dia, especialmente na saúde, na segurança e na geração de oportunidades. A política precisa ouvir mais e polarizar menos”. Para ele, quem apresentar propostas consistentes e capacidade de entrega tende a conquistar a confiança da população . 

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