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Estragos da chuva

Por Ricardo Polettini | Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Prefeitura opde decretar estado de calamidade

Prefeitura pode decretar estado de calamidade pública

Texto: Ricardo Polettini

O prefeito Nilson Costa (PL) pode decretar estado de calamidade pública em Bauru, em virtude dos estragos causados pela forte chuva do início da noite de sexta-feira. A medida pode ajudar a equipe de obras da Prefeitura, agilizando a liberação de verbas do Governo Estadual para auxiliar o Município. A confirmação da declaração pode sair ainda no início desta semana. Entretanto, ao mesmo tempo,

é aguardada definição sobre quem estará no cargo de prefeito nos próximos dias.

Isso porque há pendências judiciais tanto no Tribunal de Justiça quanto no Supremo Tribunal Federal, que vão decidir sobre cassação ou não de liminar que reconduziu Izzo Filho ao cargo, bem como sobre recurso no TJ em relação ao afastamento dele, determinada em outra liminar.

A cidade já está em estado de emergência, decretado por Izzo Filho, desde o dia 11 de janeiro. Isso possibilita que a Prefeitura contrate empresas de serviços sem licitação pública para recuperação dos estragos, por um prazo de 90 dias, até um teto de R$ 4,5 milhões, fazendo com que o município ganhe tempo, eliminando os trâmites burocráticos que envolvem os processos de contratos de terceiros.

Recuperação

Cerca de 100 homens trabalham desde a madrugada de sexta para sábado, em vários pontos da cidade, para tentar recuperar parte do que foi destruído pelas águas. Os trabalhos de recuperação devem seguir ainda no dia de hoje.

A pior situação, prioridade para a Prefeitura, é na região da avenida Alfredo Maia, que ficou interditada devido ao vazamento das galerias pluviais, que não aguentaram a pressão das águas.

Falta de infraestrutura

O assessor de obras da Prefeitura, Leandro Dias Joaquim, disse que os problemas que a cidade está enfrentando não trazem surpresa. Ele afirmou que, em setembro, quando Nilson assumiu o cargo, foram feitas avaliações sobre o estado das galerias pluviais em áreas consideradas de risco, como a própria região da Alfredo Maia, da José da Silva Martha, o final da Getúlio Vargas, o Jardim Tangarás e os Parques Bauru e Jaraguá. Ele foi secretário de Obras da Prefeitura, na gestão Nilson, de agost a novembro do ano passado. Leandro Joaquim deixou a administração junto Nilson depois que o Tribunal de Justiça (TJ) concedeu liminar retornando Izzo ao cargo de prefeito.

Joaquim, que é engenheiro civil, explicou que o assoreamento das galerias foi o que provocou todo o transtorno em Bauru.

"Com as chuvas, algumas galerias pluviais recebem muita água, que vêm de pontos mais altos da cidade. Com ela, descem muita sujeira, galhos etc. Quando chegam em certos pontos mais baixos, essa sujeira encalha, impedindo a livre passagem de água. Foi o que aconteceu na Alfredo Maia, por exemplo".

Draga

O assessor informou que a Prefeitura está tentando adquirir uma draga da CESP, uma das três que estão paradas e sem uso na cidade de Porto Primavera. O aparelho, de alta potência,

é utilizado na construção de usinas hidrelétricas.

Embora seja uma medida emergencial, que não vai resolver as causas do problema, a draga, chamada Bucyrus, permitiria que as galerias pluviais fossem limpas dos entulhos, evitando novos transtornos no período das chuvas.

Chuvas pioram as condições da cidade

Texto: Luciano Augusto

A tempestade que assolou Bauru na sexta-feira deixou um rastro de destruição por toda a cidade. Entretanto, esta

última chuva, além de causar estragos nas áreas normalmente afetadas, provocou danos em outros pontos da cidade.

No Jardim Angela, como já foi noticiado pelo JC de ontem, a erosão provocada pela força das águas destruiu uma adutora e deixou, praticamente, toda a zona sul sem

água. A previsão do DAE é de que até segunda-feira, à tarde, as 80 mil pessoas que ficaram sem receber água, volte a ser atendidas normalmente.

Na avenida Alfredo Maia, a tempestade transformou a via em um monte de entulho e lama. A igreja evangélica Assembléia de Deus foi invadida pelas águas. Foram destruídos a aparelhagem de som, documentos, bancos e cadeiras. A água dentro da igreja atingiu, segundo o cooperador da igreja, Isaías Manuel de Souza, um metro. Do lado de fora, uma piscina se formou no pátio e os sanitários, que ficam nos fundos da igreja, também estavam tomados pela água.

No Jardim Marilu, os moradores da "rua" Valdir José da Cunha estão a beira de um abismo. Uma imensa erosão tomou por completo a rua e já ameaça casas e moradores. A dona de casa Angela Aparecida Ribeiro disse que seu filho, o menor L.A.R., ao tentar arrumar o encanamento de água que se rompeu, sofreu uma queda e levou três pontos na cabeça.

De acordo com as moradoras, o Departamento de Águas e Esgoto

(DAE) já foi acionado diversas vezes para resolver o problema,

"mas nunca chega até lá".

Ontem um caminhão da Prefeitura despejava terra próximo ao local da erosão. Entretanto, o local da erosão, que se iniciou a três meses, continua sem receber a atenção necessária.

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