Oposição quer demarcar campo na Câmara
Oposição quer demarcar campo na Câmara
Texto: Josefa Cunha
Partidos de esquerda e centro-esquerda, representados ou não na Câmara Municipal, estão se movimentando para compor um bloco de oposição fechada ao governo Nilson Costa
(PPS). As conversações em busca da unidade ainda não começaram, mas o grupo pretende estar pronto para atuar no ano 2000, tão logo se iniciem as atividades legislativas.
O bloco deverá ser sustentado pelos vereadores da bancada do PDT, PT e PC do B, presidentes do PSB, PV e PSTU, contando com o respaldo do deputado Pedro Tobias (PDT) e Tuga Angerami
(PSB). A união com os partidos que não possuem assento no Legislativo teria dois propósitos: a colaboração deles com ações políticas nos bastidores e a preparação antecipada de uma frente progressista com vistas no processo de sucessão municipal.
Os defensores do movimento, que não querem se expor antes de ver o plano confirmado, acham que a postura da oposição no Legislativo está muito "solta", mal organizada e, por vezes, indefinida. O entendimento não é apenas restrito às questões ligadas ao Executivo, mas ao papel político da esquerda, também amorfo na opinião de alguns. A composição do bloco, pelo que fazem crer, viria como um instrumento demarcatório para separar direita e esquerda, conservadores e progressistas.
Configurado o grupo, a administração municipal perderia significativamente a tranqüilidade de hoje, uma vez que haveria entre os oposicionistas o compromisso de fechar questões em relação a projetos e outras iniciativas oriundas do Executivo. Hoje, como opositores certos, estão os vereadores do PDT - Luiz Carlos Valle, Luiz Roberto Relvas, João Parreira de Miranda, Erlon Junqueira e Salvador Afonso -, os tucanos Antonio Carlos Garmes e Rubens Spíndola e o petebista Rogério Medina. José Carlos Batata (PT) e Maria José Majô Jandreice (PC do B) nem sempre ficam contra Nilson Costa.
A questão é que Garmes, Spíndola e Medina não pertencem a partidos de esquerda, embora o PSDB seja visto como partido de centro, com vertentes esquerdistas. Para obter numerário suficiente para fazer frente ao bloco situacionista, o pretendido grupo de oposição teria que fazer concessões, abrindo negociação, mesmo que pontuais, com partidos conservadores.
Medina e até Catarina Carvalho, do PFL, seriam imprescindíveis para o projeto do grupo. O petebista já deu mostras de sua oposição radical a Nilson e, ultimamente, Catarina tem assumido posturas contrárias e lançado cobranças
à administração. A "colaboração" de ambos, entretanto, estaria oficialmente fora do acordo que os esquerdistas "oficiais" querem costurar.