Todos os vôos no aeroporto Moussa Tobias, na divisa de Bauru com Arealva, foram cancelados ontem em função das más condições meteorológicas. O nevoeiro e a chuva impediu que as aeronaves pudessem decolar e aterrissar, já que o aeroporto não possui os equipamentos necessários para operar em dias como o de ontem. Os oito pousos foram suspensos, assim como as oito partidas previstas pelas três empresas que realizam vôos regulares no trajeto Bauru-São Paulo-Bauru.
Cena que tem se repetido nos grandes aeroportos, os passageiros permaneceram no saguão do Moussa Tobias sem saber a que horas conseguiriam embarcar e, no final do dia, foram encaminhados a um hotel para hoje tentar a sorte novamente.
Desde anteontem, alguns vôos em Bauru já estavam sendo cancelados e outros saíram com atrasos de até duas horas em razão da instabilidade do tempo.
Para tornar a situação ainda mais preocupante, no início da noite de ontem a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou a proibição da venda, a partir de hoje, de passagens aéreas para vôos com partida no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. No entanto, segundo Antônio Antunes, gerente da Pantanal em Bauru, todos os vôos da companhia continuarão a realizar pousos e decolagens na pista auxiliar de Congonhas hoje.
“Aviões grandes não poderão decolar, mas os da nossa companhia estarão operando normalmente. O que poderá impedir pousos e decolagens da Pantanal será exclusivamente as condições do tempo”, garante. Até o final da noite de ontem, a central de reservas da companhia, em São Paulo, continuava funcionando dentro da normalidade.
Caso os vôos com destino a São Paulo sejam impedidos de pousar em Congonhas em função da chuva, Antunes informa que os passageiros desembarcarão no aeroporto Viracopos, em Campinas, e serão transportados até São Paulo por um ônibus.
Centrinho
Um dos passageiros que tentavam embarcar para São Paulo ontem era a pedagoga Lizlene Neves, que veio de Ananindeua (PA) com o filho Víctor, de 9 anos, para Bauru. O filho de Lizlene é deficiente auditivo e esteve no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho, para uma avaliação a fim de realizar um implante coclear.
A pedagoga havia marcado sua passagem para anteontem às 20h20, mas desistiu porque faria conexão em São Paulo e só conseguiria embarcar para Belém às 7h de hoje. “Seriam quase 11 horas de espera no aeroporto. Não poderia fazer isso com o meu filho”, diz.
Ontem, ela ficou o dia todo tentando remarcar a passagem, mas devido à chuva, não conseguiu embarcar. “Ninguém me dá um posicionamento e estou sem expectativas de voltar para casa. Amanhã (hoje), vou ligar de novo para tentar ir embora”, afirma.
De acordo com a assessoria de imprensa do Centrinho, de ontem para hoje seis pacientes desmarcaram suas consultas alegando problemas com atrasos nos vôos e até mesmo medo de embarcar. A central de agendamentos do hospital informa que consultas canceladas são reprogramadas conforme a disponibilidade de vagas, o que pode demorar de dois dias a alguns meses.