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Crianças são as maiores vítimas de queimaduras


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Um dado alarmante reforça a necessidade de pais e responsáveis reforçarem a segurança dos filhos em casa. Segundo dados do Ministério da Saúde, três a cada dez vítimas de queimaduras no Brasil são crianças. Somente este ano, de janeiro a abril, 6.409 crianças e adolescentes com menos de 15 anos foram hospitalizados no Sistema Único de Saúde (SUS) por esse motivo.

Como as crianças, desde o ano passado, estão mais tempo longe da escola, o tempo de exposição aos pequenos perigos caseiros aumentou. A infância, em especial do nascimento até os 4 anos, é a fase em que há maior risco de acidentes envolvendo queimadura. Isso porque, nesse período, a pele das crianças costuma ser mais fina e queima com maior facilidade. Além disso, é quando a percepção dos riscos e a habilidade para escapar de situações de perigo costumam ser menores, o que favorece a possibilidade de ferimentos.

Segundo a ONG Criança Segura, os tipos mais comuns de queimaduras em crianças são as escaldantes (causadas por água ou vapor quente) e as térmicas (causadas por contato direto com fogo ou objetos quentes).

Desde que a pandemia começou, outro fator de risco entrou de vez para a rotina. No entanto, um estudo publicado na revista JAMA Opthalmology mostrou, de 2019 para cá, os casos de acidentes e lesões oculares causadas pelo uso de álcool em gel aumentaram sete vezes entre menores de 18 anos.

À Crescer, a oftalmologista Patrícia Ferraz Mendes, do Sabará Hospital Infantil (SP), explicou que os riscos aparecem quando o produto entra em cosntato com os olhos ou com a boca. "Para matar os germes, o álcool usado nessas formulações agride as proteínas e os lipídios das membranas celulares. Na pele, isso não ocorre, pois temos a queratina como barreira de proteção. Porém, na boca ou nos olhos a ação torna-se direta, causando lesões tipo queimaduras químicas."

O médico pediatra Marco Antônio Chaves Gama, presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP, observa que é preciso conhecer a casa, mapeando áreas de riscos: de um vão desprotegido a um objeto de vidro na mesa. "Quando a gente constrói uma casa, não pensa em acidentes. Eles passam a existir na mente quando acontecem. Mas é preciso buscar estes pontos vulneráveis, e se antecipar. O risco é potencial, não é neurose. E acidentes são previsíveis e podem ser evitados."

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