Tribuna do Leitor

Bauru de antigamente

Cesar Savi
| Tempo de leitura: 3 min

Cidades paulistas e brasileiras têm suas peculiaridades, assim como Bauru. Ela é famosa e conhecida pelo sanduíche bauru. Foi criado pelo universitário bauruense em São Paulo Casimiro Pinto Neto. O original é servido em Bauru e em São Paulo, na lanchonete Ponto Chic. Existe uma lei municipal informando como o lanche deve ser produzido. A lanchonete Skinão, na avenida Rodrigues Alves, esquina com a Gustavo Maciel, durante décadas serviu milhares de sanduíches bauru. Um programa de TV sobre comidas mundiais citou o dito cujo. Que honra. Hoje o Skinão está na Octávio Pinheiro Brisolla, perto do Aeroclube.

Na parte esportiva, a cidade foi muito famosa no tênis estadual e nacional. Equipes de tênis, integradas por jogadores do Bauru Tênis Clube, foram campeãs nesse esporte durante 10 anos nos Jogos Abertos do Interior. Além disso, atletas das categorias infantil, infanto-juvenil e adultos defenderam e justificaram a fama de nossa cidade ganhando dezenas e dezenas de torneios pelo Brasil. Consta no folclore esportivo que os adversários diziam que competiam pelo título de vice-campeão, porque o de campeão já tinha dono: Bauru. Roberto Cardoso fez parte da equipe brasileira da Copa Davis, disputada na distante Finlândia.

Outro setor de destaque no esporte foi no atletismo. Como no tênis, contou com a dedicação amadora de seus praticantes. Posso esquecer de um nome ou outro e lembro de Sylvio Minhoto Teixeira, Joaquim Teodoro de Moraes, Clóvis Turini, Oswaldo Rasi (Vado) Sylvio Pacheco Rasi, Senibaldo Gerbasi, Osvaldo Sbeghen, Enéas, que foi roupeiro do Noroeste durante muito tempo. Vinícius Tavares foi um velocista, especialista em corridas de 100 metros rasos.

Percorria a distância um pouco abaixo de 10 segundos. Um campeão mundial faz mesma coisa abaixo de 9 segundos. Se Vinícius tivesse ido para São Paulo, recebendo orientação de um técnico, poderia ter sido também campeão mundial. Rasi, com 1,60m de altura, era praticante de salto triplo. Ganhou dezenas de troféus e medalhas defendendo Bauru em competições. Ele carregou a tocha olímpica em uma edição dos Jogos Abertos do Interior aqui sediado.

Oswaldo Rasi, dono da Ferragens Rasi, foi verereador pela UDN (União Democrática Nacional), junto com Sérvio Túlio Coube, Paulo Rangel e Dagoberto Magalhães Zimmerman. Naquele tempo, a vereança era gratuita (vereador não ganhava salário). Sérvio dizia que era uma forma de retribuir para Bauru tudo o que a cidade oferecia. Rasi participou da implantação de um sistema de transporte de cargas pela ferrovia. Caminhões cargueiros, saindo de São Paulo com destino a Bauru, embarcavam em vagões abertos na Estação da Luz no começo da noite. Os motoristas ficavam no vagão de passageiros. Chegando em Bauru, circulavam pela cidade entregando as cargas. No fim do dia, voltavam para a estação com destino a São Paulo. Isso representou economia em todos os sentidos.

Não tenho conhecimento do que motivou a extinção desse serviço que poderia ser retomado atualmente, por fatos óbvios. Bauru deve a Oswaldo Rasi a construção do Sesc - Serviço Social do Comércio - na rua Hermínio Pinto. Ele se empenhou, junto com outras pessoas, pela instalação do mesmo. Em reconhecimento pela sua intensa e decisiva participação, o local recebeu o nome do seu pai, Adolpho Simão Rasi.

 

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