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Com fim dos protocolos sanitários, casos de meningite sobem em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A retirada dos protocolos sanitários para prevenir a Covid-19 provocou o aumento do número de casos de meningite em Bauru, que tinham sido reduzidos em 2020 e 2021, anos mais críticos da pandemia. Isso ocorreu porque, assim como a doença causada pelo novo coronavírus, a meningite também é transmitida pelas vias respiratórias.

Segundo o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde, de janeiro a setembro deste ano, foram registrados 63 casos, incluindo uma criança que morreu em decorrência da contaminação. O número se assemelha ao que foi contabilizado antes da pandemia. No ano inteiro de 2019, por exemplo, 69 moradores da cidade foram diagnosticados com a doença.

Já em 2020, quando a Covid-19 já era uma realidade em Bauru, a quantidade caiu para 41 casos e, em 2021, para 17. Diretor do DSC, Ezequiel Santos explica que a retomada dos patamares pré-pandemia estão estritamente vinculados à retomada do contato social e ao abandono do uso de máscaras de proteção facial e da higienização das mãos.

"Quando estas medidas foram adotadas, não apenas a meningite, mas todas as outras doenças respiratórias, como as influenzas, caxumba e pneumonia, tiveram diminuição de casos. Em 2022, com as pessoas voltando a circular mais e a manter contato próximo entre si sem a barreira da máscara, a transmissão voltou a aumentar", observa.

EXPECTATIVA

Apesar disso, a situação do município é diferente, por exemplo, da cidade de São Paulo, que registrou surto da doença em dois bairros da Zona Leste no fim de setembro. Já em Bauru, o último dos 63 casos de 2022 foi contabilizado em julho e não há expectativa para qualquer nova alta significativa até o fim do ano.

"A meningite tem uma sazonalidade, com elevação de casos entre o fim do outono e início do inverno, ou seja, entre maio e junho. E todos os casos foram isolados, ou seja, não ficaram concentrados em uma determinada região da cidade ou instituição", pontua.

Para conter a doença, Santos reforça a necessidade de pais de crianças e adolescentes atualizarem a caderneta de vacinação de seus filhos. Até porque, neste ano, a cobertura contra a meningite alcançou cerca de 83% do público-alvo.

"Em 2019, chegamos a 85%, então, não é um índice muito diferente. Mas quem está com doses em atraso precisa procurar os postos de saúde", frisa. De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), os bebês devem receber duas doses da vacina meningocócica C, uma aos 3 meses e outra aos 5 meses de idade, além de um reforço quando completarem 1 ano.

Os trabalhadores da saúde podem receber uma dose, mesmo já tendo o esquema vacinal completo. A rede pública também oferece a vacina ACWY, destinada a adolescentes de 11 a 14 anos. Já o imunizante contra o meningococo B só está disponível em clínicas e laboratórios privados.

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