O dia 13 de abril é dedicado a um dos maiores símbolos do Brasil: o Hino Nacional. A escolha da data não é aleatória, ela remete à primeira vez em que a melodia foi executada publicamente, em 1831, no antigo Teatro São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro.
Na época, o país vivia um período de mudanças políticas intensas. Até então, o hino mais associado à nação era o Hino da Independência, composto por Dom Pedro I. A nova composição surgia em meio a um cenário de transição, poucos dias após a abdicação do imperador, marcando o início de uma nova fase histórica.
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A música do Hino Nacional foi criada pelo maestro Francisco Manuel da Silva, em um contexto de expectativa e renovação política. Com a saída de Dom Pedro I do poder, o Brasil entrava no Período Regencial, fase em que o país seria governado até que o herdeiro do trono atingisse a maioridade.
Inicialmente, a melodia recebeu uma letra escrita por Ovídio Saraiva, que refletia o espírito da época. No entanto, essa versão não se consolidou e acabou sendo deixada de lado ao longo dos anos.
Apesar de já ser amplamente reconhecida, a música do Hino Nacional permaneceu por muito tempo sem uma letra oficial definitiva. Foi somente no início do século XX, já durante a República, que o tema voltou à pauta.
Em 1906, o maestro Alberto Nepomuceno propôs uma reformulação da obra, incluindo ajustes na parte instrumental e a criação de uma nova letra. Um concurso público foi realizado, e o vencedor foi o poeta Osório Duque-Estrada, autor dos versos que seguem em vigor até hoje.
A combinação entre a melodia do século XIX e a letra do século XX resultou no hino que atravessa gerações e segue presente em momentos marcantes da vida brasileira.
Uma prudente regência
Um monarca brasileiro
Nos prometiam venturosos
O porvir mais lisonjeiro.
E vós donzelas brasileiras
Chegando de mães ao estado
Dai ao Brasil tão bons filhos
Como vossas mães têm dado.
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada, idolatrada, salve! salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida”, no teu seio, “mais amores”.
Ó Pátria amada, idolatrada, salve! salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula:
Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte!
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!